Orgulho 2026: saúde, moradia e educação para pessoas trans

Milhares de pessoas marcham em CDMX para exigir o fim da discriminação e da violência letal.

Demandas e resistência no Zócalo

Nem a chuva, nem o vento, nem a Fan fest da Copa do Mundo detiveram a multidão. A Marcha do Orgulho, em sua 48ª edição, chegou ao Zócalo da capital com uma demanda clara: garantir saúde, moradia e educação para pessoas trans.

Centenas de milhares de pessoas celebraram a sua identidade, mas também levantaram a voz por aqueles que já não estão aqui. O protesto reiterou a urgência de erradicar a discriminação, o estigma e os crimes de ódio contra a comunidade LGBTTTIQ+.

RelacionadoMéxico ocupa o segundo lugar em homicídios de pessoas LGBT+ na América Latina

A partir das 9h de sábado, 28 de junho, grupos de familiares de pessoas desaparecidas, organizações de apoio a mulheres trans, pessoas LGBT com deficiência, profissionais do sexo e pacientes com HIV saíram às ruas. Exigiam segurança e atenção a estas populações, e gritavam entre bandeiras multicoloridas:

“É uma marcha, não é um negócio. Empresas com histórico homofóbico estão divulgando um movimento histórico.”

Os discursos denunciaram a exclusão da diversidade sexual dos programas sociais. Eles exigiram que o governo e as empresas não se apropriassem da luta. “Esta marcha não pertence àqueles que lucram com as nossas identidades”, afirmaram.

Pessoas de várias gerações e estados caminharam de mãos dadas. As mães acompanhavam orgulhosamente os seus filhos gays e lésbicas. Em 2026, muitos jovens LGBT ainda enfrentam rejeição familiar.

Os grupos de busca exigiram o reconhecimento da família social – amigos que procuram pelas pessoas desaparecidas. O Contingente Contra Desaparecimentos LGBTTTIQ+ apontado em frente à Glorieta de Las y Los Desaparecidos:

“Exigimos que o Estado harmonize a Lei Geral das Vítimas para reconhecer plenamente a família social.”

Ativistas trans e não binários pediram o fim da criminalização da manifestação que realizam no Ministério do Interior há 10 dias. Eram o único grupo monitorizado por centenas de polícias, apesar dos seus protestos pacíficos. Eles declararam:

“Eles nos julgam pela nossa orientação sexual, não pelo ser humano que somos. Isso tornou nossas vidas impossíveis.”

Participaram pessoas com deficiência, pacientes com VIH, vítimas de ódio e de discriminação no local de trabalho. A marcha percorreu avenidas emblemáticas até ao Zócalo, onde houve microfones abertos e horas de alegria. No final, um slogan uniu todos: acabar com os crimes de ódio e os transfeminicídios.

Alerta dos EUA para segurança no México x Inglaterra na Copa do Mundo de 2026

Embaixada dos Estados Unidos emite aviso aos seus cidadãos para o jogo de domingo.

A Embaixada dos Estados Unidos no México emitiu um alerta de segurança dirigido aos seus cidadãos no país, por ocasião da partida entre México e Inglaterra, no domingo, 5 de julho, no Estádio da Cidade do México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.

A representação diplomática, chefiada pelo embaixador Ronald Johnson, alertou que durante o torneio têm havido grandes aglomerações em estádios, Fan Fests e espaços públicos, o que tem causado incidentes nas recentes celebrações na capital.

Recomendações da Embaixada

Na sua mensagem, a embaixada recomendou precauções extremas em eventos de massa. Ele ressaltou que as aglomerações para assistir a jogos e comemorações têm causado ferimentos e até mortes, por isso pediu para ficar atento ao meio ambiente e evitar situações de risco.

O alerta também incluiu alertas sobre possíveis mobilizações e manifestações durante o evento. Ele indicou que a participação em atividades políticas poderia levar a prisões de imigração ou sanções sob a lei mexicana.

Continuar lendo

Em junho, México atinge o menor número de homicídios desde 2007

Junho fechou com média diária de 40 homicídios, o menor registro em 19 anos.

Durante o mês de junho, o México registrou uma média de 40 homicídios intencionais por dia, o valor mensal mais baixo desde 2007, segundo dados preliminares do governo federal. Embora no início e no final do mês houvesse dias com mais de 50 casos, a tendência geral foi decrescente face ao mesmo período de 2025.

O impacto da Copa do Mundo

O declínio coincidiu com o início da Copa do Mundo de Futebol de 2026. No dia da inauguração no México, apenas 30 homicídios foram registrados. Ao longo do mês, os números oscilaram, mas permaneceram abaixo da média histórica.

Entidades com maior incidência

Guanajuato liderou a lista de homicídios com 124 vítimas. Em contrapartida, os estados anfitriões da Copa do Mundo relataram reduções: Nuevo León somou 30, Jalisco 51 e Cidade do México 59, todos abaixo dos números de junho de 2025.

Estratégia e desafios

As autoridades federais atribuem a redução à estratégia de segurança da presidente Claudia Sheinbaum, que inclui ações coordenadas contra o crime organizado e maior presença policial. Contudo, organizações civis apontam que persistem problemas no registro de outros crimes, como desaparecimentos e feminicídios.

Continuar lendo

México: 178 jornalistas assassinados em 26 anos, a maioria em Veracruz

178 jornalistas privados de suas vidas desde 2000. Veracruz está no topo da lista.

Violência contra a imprensa no México

Desde 2000, 178 jornalistas e comunicadores foram privados de suas vidas no México, segundo dados da organização Artigo 19. O caso mais recente é o de Roxana Berenice Guzmán Ramírez, encontrada morta mais de um mês após seu desaparecimento em Veracruz.

Veracruz é a entidade mais violenta para a imprensa com 34 vítimas mortais, seguida por Guerrero com 19. Chihuahua, Oaxaca e Tamaulipas registam 15 cada. Do total, 165 eram homens e 13 mulheres.

O mandato de seis anos mais letal foi o de Felipe Calderón (2006-2012) com 48 homicídios. Seguem-se os governos de Enrique Peña Nieto e Andrés Manuel López Obrador, com 47 cada. Em contrapartida, sete estados não reportaram vítimas mortais no mesmo período: Aguascalientes, Campeche, Colima, Hidalgo, Querétaro, Tlaxcala e Yucatán.

O Artigo 19 apela às autoridades para que garantam a justiça e reforcem os mecanismos de protecção. A impunidade continua a ser um factor-chave que agrava a violência contra a imprensa no México.

Continuar lendo