O México prioriza seu consumo humano ao fornecer água aos Estados Unidos

O Itamaraty detalha como será cumprido o compromisso internacional, priorizando o abastecimento da população e do setor agrícola nacional.

Entrega de água aos EUA: um acordo com sabor de conflito hidrológico

Parece que a relação entre o México e os Estados Unidos não se mede apenas em memes fronteiriços e debates sobre tacos versus hambúrgueres. Existe um Tratado da Água de 1944 que, oito décadas depois, continua a dar-nos algo para falar e, literalmente, algo para beber. O Secretário das Relações Exteriores (SRE), numa declaração que mais parece uma justificação diplomática do que um anúncio triunfante, admitiu que o cumprimento do fornecimento de água ao vizinho do Norte exige “ações extraordinárias”. Tradução milenar: teremos que fazer malabarismos com as chaves da barragem para que não nos anulem no tratado internacional.

O cerne da questão está na bacia do Río Bravo, onde a disponibilidade de água não é exatamente algo digno de nota. Assim, num movimento que lembra “eu te dou, mas com condições”, o Itamaraty colocou um golpe de mestre na mesa: as entregas serão feitas, sim, mas somente quando o sistema hidráulico nacional permitir. E tenha cuidado, porque a prioridade número um, segundo eles, é o consumo humano local. Parece lógico, certo? Primeiro as pessoas aqui, depois os compromissos geopolíticos. Algo como “sim, vou convidar você para a festa, mas só se sobrar comida depois que minha família comer”.

RelacionadoAquífero gigante de água doce descoberto sob o Oceano Atlântico

O Rio San Juan para o resgate (de novo)

E qual é essa ação extraordinária? Pois bem, aproveite, mais uma vez, o Rio San Juan. Essa fonte de água é como o amigo fiel a quem você sempre pede favores incômodos. De acordo com o SRE, os volumes deste rio serão utilizados para atender à cota Bravo, tudo coberto pelo artigo 9 do tratado e pela Lei 331 da Comissão Internacional de Fronteiras e Águas (IBWC). Mas, e este é um grande *mas*, isso será feito “considerando as limitações operacionais e privilegiando o uso agrícola no México”. Ou seja, o campo mexicano também sobe ao pódio das prioridades, logo depois da água potável. Parece que o lema é: “Água para o povo, para as colheitas e, se sobrar, para o compromisso diplomático”.

A narrativa oficial insiste que haja “monitoramento pontual” e “diálogo com os usuários” da bacia. Em Christian: estão a tentar apaziguar os agricultores e as populações locais que suspeitam que a água vá para o outro lado da fronteira enquanto enfrentam restrições. A mensagem final do SRE é clara como a água (isto é, potável): garantir água aos mexicanos é a prioridade absoluta. Um piscar de olhos de tranquilidade nacional no meio de um complexo tabuleiro de gestão binacional da água.

Em resumo, este episódio da diplomacia hídrica

Você está intrigado com a forma como os recursos são negociados entre os países? Compartilhe esta nota para gerar conversas e explore mais conteúdo sobre geopolítica e meio ambiente em nossa seção de análise.

Governo defende perdão à Espanha na lei indígena

O governo defende o perdão da Espanha como pilar da nova lei indígena de combate ao racismo.

Perdão e multiculturalismo: chaves para a nova lei indígena

No âmbito da apresentação da Lei Geral dos Direitos dos Povos Indígenas e Afro-mexicanos, o governo federal insistiu na importância do perdão histórico para com a Espanha. Durante a conferência matinal no Palácio Nacional, o rei Felipe VI foi reconhecido pelas declarações sobre os abusos durante a Conquista.

“O perdão engrandece o povo. O mais importante para o México é a identidade que o reconhecimento do povo representa”, afirmaram porta-vozes oficiais.

A discussão centrou-se na necessidade de superar uma visão eurocêntrica. As autoridades salientaram que sem esta mudança o racismo e o classismo continuarão a ser promovidos.

“Se não reconhecermos a visão das grandes civilizações e o valor que o povo deu à identidade coletiva do México, continuaremos a promover o racismo e o classismo”, alertaram.

Após 300 anos de colônia e 200 anos de independência, 20% da população mexicana se identifica como indígena. O governo apelou ao reconhecimento deste multiculturalismo como parte da identidade nacional.

A lei procura garantir direitos e combater a discriminação estrutural que estas comunidades ainda enfrentam.

Continuar lendo

Exército e polícia, as instituições que mais geram confiança no México

A OCDE revela que os mexicanos confiam mais nas forças armadas e na polícia do que no governo.

Confiança nas instituições: classificação do México

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou um inquérito sobre os factores que determinam a confiança nas instituições públicas, realizado em 36 países. No México, as três instituições que mais geram confiança são as forças armadas, as organizações internacionais e a polícia.

O estudo detalha que a população confia mais no Exército e na polícia do que no Judiciário e no governo federal. Na escala geral, o serviço público nacional ocupa o quarto lugar, seguido pelo serviço público regional, pelo governo nacional, pela mídia, pelo Tribunal e pelo Judiciário, pelos governos estaduais, pelas autoridades locais, pelo Congresso e, por último, pelos partidos políticos.

Uma particularidade detectada pela OCDE no México, no Japão, na Coreia e na República Eslovaca: a confiança nos legisladores aumenta entre a população com um nível educacional mais baixo. Por outro lado, os cidadãos com estudos universitários ou pós-graduados demonstram menos credibilidade perante o seu congresso.

Principais preocupações

Para os mexicanos, o crime ou a violência, a inflação e a corrupção são as maiores preocupações. Seguem-se o emprego, os serviços de saúde, a desigualdade, a habitação, as alterações climáticas, a segurança nacional e a migração. A nível global, a média da OCDE coloca a inflação como a principal preocupação, seguida do crime e da desigualdade, enquanto a corrupção está em nono lugar.

Satisfação com os serviços públicos

O México superou a média de satisfação da OCDE na educação: 66% contra 60%. Na saúde empatou com 54%. Além disso, 72% dos mexicanos que concluíram recentemente um procedimento administrativo relataram estar satisfeitos, superando a média de 68% da organização.

“Em meio a transformações econômicas, sociodemográficas e tecnológicas e com espaço fiscal limitado, os governos democráticos enfrentam desafios para atender às crescentes expectativas e necessidades das pessoas. Um nível saudável de confiança nas instituições públicas é essencial para implementar reformas”, concluiu a OCDE, alertando que as ações governamentais são limitadas por processos internos lentos e dificuldades em alcançar consenso.

Continuar lendo

Acadêmica da UNAM denuncia violência cometida por seu marido, ex-diretor da Pemex

Engenheira nuclear denuncia ataques do marido, ex-diretor da Pemex, e aponta rede de silêncio.

Queixa por violência doméstica

María Felicia Jiménez Lavie, professora da UNAM e engenheira nuclear, tornou pública sua denúncia por ataques físicos, econômicos e psicológicos supostamente cometidos por seu marido, Víctor Rodríguez Padilla, ex-diretor da Pemex. Em entrevista, ele relatou que os episódios de violência ocorreram em três ocasiões, sendo a mais recente a mais intensa. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Rodríguez Padilla batendo nela e empurrando-a na presença de uma menor.

“Este foi o terceiro episódio, o mais forte de todos, mas este como tal não foi recorrente. Isto ocorreu apenas três vezes, sendo a primeira em 2022”, declarou.

Censura após a denúncia

Jiménez Lavie garantiu que, após a publicação das provas, foi submetida à censura para silenciá-la. Ele afirmou que cancelaram sua conta em

“Sim, tenho medo dele, das suas influências, de todas as pessoas que o apoiam em silêncio, porque todo esse bloqueio das minhas redes não foi feito só por ele, ele fez isso com uma rede de apoio”, expressou.

O académico contrariou o Ministério da Energia, que afirmou que Rodríguez Padilla não tinha aderido formalmente ao INEEL. Jiménez Lavie destacou que no dia 3 de junho o próprio instituto o acolheu publicamente como diretor geral. No âmbito familiar, embora ainda casados, deixaram de viver juntos em março; Acusou o ex-funcionário de exercer violência psicológica contra o filho mais velho e de negligenciar o filho mais novo que têm em comum.

Apoio da Secretaria da Mulher

A Secretaria da Mulher entrou em contato com a reclamante para oferecer orientação jurídica e psicológica, embora ainda não possua medidas de segurança. Esta segunda-feira, através de uma carta dirigida à jornalista Azucena Uresti, Jiménez Lavie descreveu a sua denúncia como um ato de coragem para proteger os seus filhos e apelou à população para denunciar qualquer forma de assédio ou violência.

Continuar lendo