Um confronto de titãs nos céus
Numa reviravolta digna das mais épicas batalhas diplomáticas, a administração de Andrés Manuel López Obrador ergueu-se como um colosso indomável face aos apelos do gigante norte-americano. Ao longo de 2023, os avisos dos Estados Unidos foram ignorados, enquanto o México traçava o seu próprio destino no Aeroporto Internacional da Cidade do México (AICM), desafiando as regras do jogo estabelecidas.
A ordem que abalou os alicerces
No último sábado, o chefe do Departamento de Transportes (DOT), Sean Duffy, emitiu um ultimato que ressoou como um trovão no horizonte. Com palavras cheias de frustração, Duffy revelou ao mundo como o México ignorou repetidas vezes os pedidos de clareza sobre a sua controversa decisão de expulsar o tráfego de carga do AICM e de reduzir os horários dos voos de passageiros. “Nossas preocupações, até agora, não foram resolvidas”, declarou ele com uma mistura de raiva e decepção na ordem administrativa 2025-7-11, um documento que agora ameaça mudar o curso da aviação entre as duas nações.
Em 7 de junho de 2023, uma delegação de altos funcionários do DOT cruzou as fronteiras com uma mensagem urgente para López Obrador. Sua missão: expressar profunda preocupação com o decreto de fevereiro que fechou o AICM para operações de carga, obrigando as companhias aéreas a se mudarem para o Aeroporto Internacional Felipe Ángeles (AIFA). Mas suas palavras se perderam no vento. Nem mesmo a reunião de 16 de outubro em Washington, onde o então secretário da SICT, Jorge Nuño Lara, ouviu as reivindicações, conseguiu movimentar a balança.
Um estupro que acendeu o pavio
Duffy, com a precisão de um cirurgião jurídico, destacou que proibir carga na AICM não era apenas um ato de rebelião, mas uma violação flagrante do Artigo 11(2) da convenção bilateral de transporte aéreo. Este pacto, sagrado desde 2015, garantiu às companhias aéreas norte-americanas o direito de operar voos de carga em qualquer canto do México. Três empresas norte-americanas, vítimas deste terremoto regulatório, tiveram que deixar a AICM em 1º de setembro de 2023, um êxodo forçado que ainda ressoa nos corredores do poder.
Mas o DOT não parou por aí. Com a fúria de um deus olímpico, a administração Donald Trump desencadeou a sua vingança: agora as companhias aéreas mexicanas devem submeter cada horário, cada voo charter, cada movimento em solo americano à aprovação prévia de Washington. E como se isso não bastasse, a imunidade antitruste da aliança entre a Delta Air Lines e a Aeroméxico está por um fio, ameaçando quebrar o equilíbrio do mercado.
Slots faltantes e promessas não cumpridas
O AICM, aquele colosso de asfalto e aço, tornou-se o campo de batalha silencioso. Desde agosto de 2022, as operações caíram de 61 para 52 por hora, supostamente por saturação. Um ano depois, outro golpe: 52 a 43. As companhias aéreas dos dois países viram como os seus slots históricos desapareceram sem explicação. O DOT exigiu testes, análises, garantias… mas recebeu apenas silêncio. “Onde estão as obras para aliviar a saturação?” eles choraram em vão. As cartas, as consultas formais de março de 2023, permaneceram como gritos no abismo.
Hoje, o mundo assiste com o coração em suspense. Será este o início de uma guerra comercial aérea? Ou apenas mais um capítulo desta saga de poder, orgulho e céus divididos?
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