Um marco democrático em meio ao ceticismo
O México viveu neste domingo um momento histórico com a primeira eleição direta de juízes e magistrados, um processo derivado da polêmica reforma judicial promovida pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. No entanto, o dia foi marcado por uma participação cidadã notavelmente baixa, estimada entre 13% e 20% de acordo com o Instituto Nacional Eleitoral (INE), e por uma palpável falta de conhecimento entre os eleitores sobre os candidatos e o mecanismo de votação.
Desafios logísticos e preocupações com transparência
A complexidade do processo ficou evidente nas urnas, onde os cidadãos tiveram que escolher entre 881 cargos judiciais, incluindo os nove ministros do Supremo Tribunal de Justiça da Nação (SCJN). Ao contrário das eleições anteriores, o INE não implementou o Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (PREP) devido a restrições orçamentais, o que atrasará os resultados finais até 10 de junho. A contagem será realizada nos 300 distritos eleitorais federais, com câmaras de vigilância para garantir a transparência.
Ricardo Frijol Mendoza, professor aposentado de 64 anos, resumiu o sentimento de muitos eleitores: “Muitos de nós chegamos com dúvidas, mas é um primeiro passo para limpar o sistema.” No entanto, organizações como a Defensorxs alertaram sobre a presença de candidatos ligados a cartéis de tráfico de drogas e casos de corrupção, o que levanta dúvidas sobre a adequação do processo.
Impacto na independência judicial
Analistas como o Dr. Julio Ríos Figueroa, especialista em direito do ITAM, alertam que a eleição poderia politizar o Judiciário, especialmente se os cargos forem ocupados por perfis relacionados ao partido governista Morena. “A perda da independência judicial iria minar a imparcialidade das decisões”, disse ele. Esta preocupação foi partilhada por governos como os dos Estados Unidos e do Canadá, que criticaram a reforma pelos seus possíveis efeitos sobre o Estado de direito.
Posturas divergentes
Enquanto a presidente Claudia Sheinbaum defendeu o processo como um avanço democrático, cidadãos como Raúl Bernal, um maquiador de 50 anos, mostraram ceticismo: “As cores vêm, as cores vêm. É sempre o mesmo.”. Por sua vez, López Obrador reapareceu publicamente para votar em Chiapas e descreveu o dia como “histórico”, embora a sua reforma continue a gerar debate sobre se irá fortalecer ou enfraquecer as instituições.
O Tribunal Disciplinar, os magistrados distritais e os juízes distritais eleitos enfrentarão casos cruciais, desde extradições até direitos familiares. Martha Tamayo, advogada e ex-deputada, questionou se o processo realmente limitará a influência do crime organizado: “Os cartéis já subornam juízes, eleitos ou não.”
O que vem a seguir? Os resultados definirão o curso da justiça mexicana na próxima década. Compartilhe esta análise em suas redes sociais e explore mais conteúdos sobre reformas institucionais em nossa plataforma.
Fonte: Dados oficiais do INE e análise de especialistas em direito constitucional.
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