Descobertas que ferem e clamam por justiça
Na quinta-feira passada, a esperança encontrou a dura realidade. Coletivos de mães em busca, em dias separados, encontraram os corpos sem vida de duas pessoas em Nicolás Romero e Zumpango. Eles não são apenas números. São histórias truncadas, famílias ainda à espera de respostas.
Em Nicolás Romero, o coletivo Lirios Buscadores encontrou um corpo masculino em um terreno baldio. Ele estava vestindo uma camiseta preta e calça jeans azul escura, com cabelo preto. A ligação é direta: se você tem algum parente desaparecido, dirija-se à Promotoria Especializada de Cuautitlán para fazer exames de DNA. Cada amostra pode ser a chave para fechar uma ferida aberta.
Em Zumpango, outro grupo localizou restos ósseos nas estradas de terra de San Bartolo Cuautlapan. O dia contou com o apoio do Ministério Público, da COBUPEM, da Guarda Civil de Zumpango e Tecámac e da proteção civil de Hueypoxtla. Uma operação que mostra que, quando se trabalha em equipe, os resultados vêm, mesmo que doam.
“Cabe ao Ministério Público realizar os processos periciais e científicos necessários para determinar a origem e possível identidade dos referidos restos mortais, incluindo os correspondentes estudos de ADN”, explicou a Guarda Civil de Zumpango.
Não há vilões ou heróis de cinema aqui. Há mães que procuram com unhas e dentes os filhos, autoridades que às vezes respondem e um sistema que ainda deve muito. A política do desaparecimento é um teatro silencioso onde cada descoberta é um ato de resistência. Mas por trás de cada osso existe uma história que merece ser contada. E justiça.




