Procurar mães e familiares de pessoas desaparecidas adaptou o clássico Cielito Lindo para denunciar a crise de desaparecimentos no México, que ultrapassa os 135 mil casos. Foi no Monumento à Revolução, horas antes do terceiro jogo da Seleção Mexicana na Copa do Mundo, onde colocaram telas com os cartões de busca de seus entes queridos e entoaram letras inéditas.
Uma música para quebrar o estigma
Nanzy Mendoza, que procura seu irmão Josué Ricardo Mendoza Martínez – desaparecido no dia 3 de agosto em Lomas de Chapultepec – modificou a melodia. Ele explicou que sua intenção é movimentar a sociedade e eliminar a criminalização das famílias.
“É uma forma de conscientizar e quebrar o paradigma que nos estigmatiza… simplesmente deixar falar o nosso coração”, declarou.
Mendoza disse que durante a partida México x Coreia do Sul percebeu a empolgação dos torcedores ao cantarem Cielito Lindo. Por isso escolheu aquela música: “Quero transmitir esse mesmo sentimento com essa letra”.
A letra traz frases como: “Em cada canto, querido, estamos procurando” e “Famílias sempre corajosas… com uma foto nas mãos, nunca largando”. O refrão: “Oh, oh, oh, oh, grite e não fique calado, porque sua voz os chama, querido, em todos os lugares.”.
Apelo às autoridades e à sociedade
Angelina Castillo, mãe de Joshua Daniel Rivera Castillo — desaparecido em 9 de agosto — agradeceu a quem veio ouvir: “Essa escuta é o conforto para a alma de que muitas vezes precisamos”. Antonia Zamora, mãe de Vianey Berenice Macías Zamora, pediu para não vandalizar as fotografias dos seus filhos: “Não são apenas um pedaço de papel, são as nossas vidas”.
As empresas de busca denunciaram que o governo federal não atende às suas demandas: mais orçamento para a Comissão Nacional de Busca e para o Ministério Público estadual. Após a música, nomearam alguns desaparecidos: Marlenne Blando Aguirre, Juan Carpinteyro Pavón, Ángel Moreno Mosco, Guadalupe Ruiz González, entre outros.
“Hoje queremos nomear quem está desaparecido, não é um número, é uma história… enquanto uma pessoa continuar desaparecida, nossa voz continuará procurando por ela”, concluíram.




