A promessa de 40 horas: outra história oficial ou uma mudança real?
Marath Bolaños, Secretária do Trabalho, veio hoje com a notícia que todos esperávamos: a semana de 40 horas “agora vai ser uma realidade”. Parece bom, certo? O Congresso já aprovou e agora vem a parte complicada: implementá-lo.
Mas aqui está o detalhe que eles não querem que você veja. As coisas serão graduais. Tão gradual que terminará em 2030. Seis anos para reduzir duas horas por ano. Por que tanto tempo se já é lei?
“Garantimos que haverá dois dias de descanso”, disse Bolaños pela manhã.
O funcionário jurou e cometeu perjúrio que isso não afetaria os bolsos. Sem cortes salariais ou menos benefícios. Vão até proibir horas extras para menores, algo que deveria ter sido feito há décadas.
O curioso é o argumento: reduzir o cansaço e os acidentes. Como se as empresas precisassem de uma lei para entender que trabalhadores exaustos são menos produtivos e mais propensos a erros.
Sheinbaum, por sua vez, não perdeu a oportunidade de se comparar com a Argentina:
“Na Argentina aprovaram 12 horas de trabalho, um tremendo retrocesso”, comentou o presidente.
Claro, porque no México tudo se faz por consenso e nunca por imposição. Segundo ela, isso nos coloca “na vanguarda da América Latina”.
Eu me pergunto: será que realmente precisamos de seis anos para fazer o que outros países fizeram em menos tempo? E aquele registro eletrônico para revisar os dias… parece mais um sistema burocrático.
A memória histórica dói: quantas reformas trabalhistas permaneceram como promessas graduais que se desvanecem com o tempo. Espero que este seja diferente, mas o meu cinismo profissional diz-me que devemos agarrar-nos ao champanhe até vermos resultados concretos.




