A reforma eleitoral iniciará seu processo legislativo em janeiro de 2026

Um passeio nacional para “ouvir” o povo antecede o envio da proposta ao Legislativo. O sistema realmente mudará?

A Grande Consulta: Porque nada diz mais “democracia” do que uma viagem burocrática nacional

Em um movimento que sem dúvida surpreenderá aqueles que pensavam que decisões importantes eram tomadas a portas fechadas (que ideia ultrapassada), a presidente Claudia Sheinbaum Pardo anunciou com grande alarde – ou melhor, com o tom sério característico de La Mañanera – que a proposta de reforma eleitoral chegará ao Congresso da União em janeiro de 2026. Por que esperar tanto? Calma, cidadão! Não é procrastinação, é um desejo profundo e sincero de… ouvir. Sim, você leu corretamente. De Setembro a Dezembro de 2025, o governo dedicar-se-á à louvável tarefa de percorrer o país com uma consulta pública que, como prometem, recolherá as sábias palavras do povo. Que lindo. Quão democrático. O que… exatamente o que se espera que eles digam.

“Eles já iniciaram esses fóruns, reformaelectoral.gob.mx lá podem colocar suas propostas ou participar de algum dos fóruns em alguma entidade da república”, declarou o presidente, no que poderia ser o roteiro de qualquer anúncio de serviço público dos últimos 30 anos. A promessa é apresentar uma iniciativa “baseada nesta consulta”. Não podemos deixar de nos perguntar se as propostas dos cidadãos incluirão temas revolucionários como “não roube” ou “deixe os votos contarem”, mas certamente a comissão já tem isso na sua lista de “truísmos democráticos básicos”.

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O tour de escuta ativa: porque suas opiniões merecem um funcionário de alto nível

À frente desta jornada épica de coleta de opiniões está Pablo Gómez Álvarez, chefe da Comissão Presidencial para a Reforma Eleitoral. A sua missão, segundo o comunicado oficial, é tão titânica quanto ambígua: “ouvir as opiniões dos cidadãos, organizar debates públicos, preparar estudos e apresentar propostas”. Basicamente, o trabalho de todo político, mas concentrado em poucos meses e com um microsite no meio. Falando no portal, ele se orgulha de ter “10.825 visitas”. Um número tão específico que chega a impressionar, até lembrarmos que o México tem mais de 120 milhões de habitantes. Qual é, até um vídeo de um gatinho espirrando tem mais visualizações, mas quem somos nós para questionar as métricas de engajamento dos cidadãos.

O que é realmente fascinante é o cronograma meticuloso da consulta pública, uma turnê de rock político onde os fãs (cidadãos) podem vir ver seus ídolos (altos funcionários) ao vivo e pessoalmente. A Secretária do Interior, Rosa Icela Rodríguez, visitará Puebla, Sonora, Chiapas e outros estados, porque nada gera mais confiança do que ver um membro do gabinete tirar a poeira num auditório municipal. Ele é seguido por uma série de nomes importantes: Arturo Zaldívar, José Antonio Peña Merino, Ernestina Godoy, Lázaro Cárdena Batel e Jesús Ramírez Cuevas. Quase parece um cartaz de festival, mas em vez de música, oferecem… bem, a oportunidade de serem ouvidos. Quem precisa de um guitarrista quando você pode ter um coordenador orientador explicando o item 7 da agenda?

E por falar em agenda, os tópicos para consulta são uma lista de 10 pontos que vão desde “Liberdades políticas” até “Democracia participativa”. Parece bom, certo? Como o programa de um mestrado em ciência política. É reconfortante saber que as pessoas comuns serão questionadas sobre a “eficácia do sufrágio” ou o “modelo de comunicação política” enquanto provavelmente estão a pensar no aumento do preço das tortilhas. Mas ei, não vamos ser cínicos. Talvez desta vez seja diferente. Talvez esta reforma eleitoral seja a definitiva, a que resolverá todos os males do sistema. Ou talvez seja apenas o preâmbulo necessário para justificar o que já foi decidido num escritório climatizado. O tempo e o Congresso em janeiro de 2026 dirão.

O resultado final? Uma proposta que chegará ao Legislativo logo após o término do período de “escuta”. Uma sincronização perfeita, quase milagrosa, que demonstra uma eficiência invejável… ou um planeamento que sugere que as conclusões já estão mais ou menos tiradas. Mas, novamente, isso é apenas a opinião sarcástica de um narrador. A verdadeira voz é a do povo. Ou pelo menos aquelas 10.825 visitas ao microsite.

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Mais de 12 mil refugiados acessam contas bancárias no México

O Banorte e o ACNUR facilitam a inclusão financeira dos refugiados no México.

Mais de 12 mil refugiados com autorização de residência legal no México conseguiram abrir uma conta bancária, um passo fundamental para a sua integração no emprego formal. A iniciativa, promovida pelo Banorte em aliança com a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), teve início em 2022.

Felipe Medina, diretor executivo de Captação do Banorte, destacou que o principal entrave foi a falta de acesso a uma conta para depósito da folha de pagamento. Embora a regulamentação permita a abertura de contas com CURP e documentos de imigração, na prática muitas agências não reconheciam esta documentação.

“Havia pessoas que já queriam trabalhar, ingressar em empregos formais e não encontravam uma conta que lhes permitisse receber seus recursos”, explicou Medina.

O banco desenhou um processo de abertura digital em cerca de cinco minutos, com arquivo simplificado. Os refugiados podem receber depósitos salariais, fazer transferências e usar cartão de débito digital. O cartão físico é então obtido em estabelecimentos comerciais, sem necessidade de deslocamento até uma agência.

O Banorte também colaborou com empresas que contratam refugiados – como FEMSA, Mabe, LEGO e Alpura – para agilizar a abertura de contas durante a incorporação ao emprego. As equipas de recursos humanos receberam formação especializada.

O sector bancário permitiu a plena integração na economia formal. As contas deste segmento registram depósitos mensais entre 2.000 e 14.000 pesos, saldo médio de 1.900 pesos e cerca de seis transações digitais por mês. As empresas reportam uma menor rotatividade de pessoal e uma maior produtividade entre os trabalhadores refugiados, muitos deles com experiência profissional ou estudos especializados.

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Governo de Sheinbaum lança alerta telefônico contra El Niño

Sistema de alerta telefônico contra El Niño estará pronto em dois meses.

Sistema de alerta para fenômenos climáticos

A presidente Claudia Sheinbaum anunciou que o Governo Federal está desenvolvendo um sistema de alerta telefônico para fenômenos meteorológicos. A previsão é que fique pronto em aproximadamente dois meses. A iniciativa é levada a cabo pela Agência de Transformação Digital e Telecomunicações, pela Coordenação Nacional de Proteção Civil e pelo Serviço Meteorológico Nacional (SMN).

O projeto faz parte de ações preventivas contra o fenômeno El Niño, que segundo as autoridades se manifestará com grande intensidade neste ano e no próximo.

Impacto esperado do El Niño

Segundo as previsões oficiais, o El Niño deixará chuvas mais intensas no final do ano, principalmente no norte do país. Uma elevada probabilidade de ciclones maiores e condições de seca também está prevista para o centro do México em 2027.

O coordenador do SMN, Fabián Vázquez Romaña, destacou que há 63% de probabilidade de o evento ser “muito forte”. Ele acrescentou que atingirá seu ponto mais alto em dezembro e alertou para uma recuperação das altas temperaturas durante a primavera de 2027.

Medidas de proteção civil

A coordenadora nacional da Proteção Civil, Laura Velázquez, explicou que é mantida a comunicação com os 32 estados para mobilizar equipas de socorro, supervisionar abrigos e atualizar mapas de risco em colaboração com a Comissão Nacional de Águas.

Como estratégia chave, são instalados Postos de Comando nas 17 entidades costeiras. Onze já estão formalizados; o restante será concluído na semana seguinte. A costa do Pacífico é priorizada antes de expandir a cobertura para o centro do país.

Além disso, estão a ser acelerados trabalhos preventivos de infra-estruturas em todo o território: desobstrução de barragens, limpeza e abertura do diâmetro dos rios e colocação de barreiras de contenção para mitigar possíveis inundações.

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Os EUA reconhecem a origem das armas apreendidas no México: Sheinbaum

Sheinbaum afirma que os EUA reconhecem que 75% das armas apreendidas no México provêm do seu território.

Reconhecimento bilateral do tráfico de armas

A presidente Claudia Sheinbaum informou que o governo dos Estados Unidos aceitou formalmente que a maioria das armas apreendidas no México provém do seu território. Este reconhecimento, observou ele, reforça a necessidade de acabar com o tráfico ilegal como uma prioridade na cooperação em segurança.

“Eles já reconheceram isso. E no entendimento que temos, agora com o governo do presidente Trump, reconhecem que algo fundamental é apreender as armas que chegam ao México”, declarou Sheinbaum.

O principal dado foi fornecido pelo Departamento de Justiça dos EUA antes do final da administração de Joe Biden: cerca de 75% das armas apreendidas em território mexicano têm origem na União Americana.

Contencioso cível e avanços na fase probatória

O secretário de Relações Exteriores, Roberto Velasco, confirmou que o processo civil que o México mantém contra fabricantes e distribuidores de armas nos Estados Unidos continua ativo. Está atualmente na fase de descoberta, apesar de outros litígios anteriores terem sido rejeitados pelos tribunais dos EUA.

“Essa demanda continua. Vamos acompanhá-la e estamos empenhados em garantir que esta fase corra bem”, disse Velasco.

Ações concretas na fronteira

Velasco explicou que o combate ao tráfico de armas também é abordado nas mesas de coordenação bilateral. Os Estados Unidos intensificaram as ações para detectar armas e munições na sua zona fronteiriça.

Além disso, o México tem acesso direto ao sistema de rastreamento eTrace do ATF, que permite identificar a origem das armas apreendidas. Segundo dados dessa plataforma, aproximadamente 70% das armas apreendidas e rastreadas vêm de lojas ou distribuidores de armas americanos.

A chanceler destacou ainda uma operação recente nos Estados Unidos que garantiu um carregamento de armas com destino à fronteira mexicana, incluindo detidos. Isto reflecte uma maior cooperação para conter o fluxo de arsenal para o país.

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