Fórmula 1 para resgatar a reputação mexicana
Parece que a solução para todos os nossos males nacionais vem, claro, a bordo de um carro que cheira a combustível caro e pneus derretidos. Jorge Mendoza, um cavalheiro que, para surpresa de ninguém, tem licença para dirigir coisas rápidas (e presumimos também para estacionar), teve uma epifania: o Grande Prêmio do México de F1 é a varinha mágica que precisamos para fazer os turistas esquecerem aqueles “pequenos incidentes” que, segundo ele, “alguns mexicanos” cometeram. Que alívio saber que não era coisa de todo mundo, né?
Em uma declaração que beira o profético, Mendoza deixou cair esta joia: “Nos últimos anos tivemos uma publicidade muito negativa para eventos causados por alguns mexicanos”. Ah, certo, apenas “alguns”. Aqueles indivíduos misteriosos e anônimos que, com suas ações, garantiram que em muitas praias e destinos, antes cheios de turistas americanos e canadenses, agora haja mais gaivotas esvoaçando do que pessoas. É curioso como poucos conseguem manchar as maravilhas naturais de um país inteiro. Quase como se um único mosquito pudesse estragar um piquenique, mas em escala nacional.
O circo da F1 e sua magia restauradora
A lógica é impecável, digna de um estrategista de F1: se as equipes mais exclusivas do planeta confiam em vir ao México sem serem roubadas ao sair do aeroporto, esse, queridos amigos, é o selo definitivo de confiança. Por que precisamos de índices de paz ou de tratados internacionais quando temos Max Verstappen acelerando no Autódromo Hermanos Rodríguez? A mensagem subliminar é gloriosa: “Venha, seus carros de um milhão de dólares estarão seguros aqui… o que não podemos garantir é o que acontecerá com sua câmera em uma feira livre.”
E não vamos esquecer o exército de telespectadores globais que, no sofá de casa, terão a palavra MÉXICO martelada em suas retinas por horas. A estratégia é tão sutil quanto o toque de uma trombeta: esperar que a hipnose coletiva induzida pelas curvas do circuito faça com que os potenciais visitantes repitam “México, México, México” como um mantra, até que reservem um voo por inércia mental. Brilhante.
Mas Mendoza, em seu papel de embaixador turístico não oficial, não para por aí. Com a visão de um Nostradamus esportivo, ele detectou outra mina de ouro: o golfe. “É um desporto que está em ascensão”, afirmou, revelando um facto que certamente deixou sem palavras os gestores de todos os campos de golfe do país. Agora é a hora de “explodir tudo”, disse ele. Esperemos que se refira à exploração do seu potencial turístico e não à exploração tradicional dos recursos naturais para construir mais campos. Os detalhes, como sempre, são os menos importantes.
Em suma, a receita para o renascimento turístico do México é simples: montar um círculo de carros barulhentos, convidar pessoas ricas, cruzar os dedos para que ninguém faça nada que mereça aparecer no noticiário internacional e, claro, promover o golfe. Problemas de imagem do país? Resolvido. E a complexa realidade social, económica e de segurança? Bah, pequenos detalhes que uma boa ultrapassagem por fora pode resolver.
Você se divertiu com esse olhar ácido sobre a promoção turística? Não fique com a ironia, compartilhe esse artigo nas suas redes sociais e vamos fazer mais pessoas sorrirem (ou corarem) com essas reflexões. E claro, explore mais nosso conteúdo para continuar rindo das notícias com um toque de humor negro.




