Um sonho de 52 anos
Miami, epicentro da comunidade haitiana nos Estados Unidos, testemunhou uma celebração histórica. Torcedores se reuniram no North Miami Art Museum para receber os jogadores da seleção haitiana, classificada para a Copa do Mundo pela segunda vez em sua história.
Entre bandeiras haitianas e ritmos de compassos, o atacante Duckens Nazon e o zagueiro Martin compartilharam experiências com a torcida antes dos amistosos marcados para a próxima semana. “Mostraremos que estamos unidos, aconteça o que acontecer”, declarou Nazon em crioulo. “Quero que esta Copa do Mundo seja o início de um novo Haiti”.
Resiliência em meio à adversidade
A alegria contrasta com a realidade que o país caribenho enfrenta. Gangues armadas controlam até 90% de Porto Príncipe, forçando o Haiti a jogar as eliminatórias em casa, em Curaçao. Além disso, o único jogador do elenco que reside no Haiti ainda não obteve o visto para os EUA, em meio às restrições de viagens impostas pelo governo de Donald Trump.
Odeline Paul, 49 anos, migrante haitiana desde os 13 anos, trouxe o filho ao evento. “Na minha idade, só tinha ouvido falar da Copa do Mundo de 74. Nunca pensei que os veria jogar. É incrível estar aqui”, disse ele. “Somos um povo resiliente. Não importa quantas vezes caiamos, sempre nos levantamos.”
Para Guensine Ambo, moradora de Miami há 35 anos, a classificação é um raio de esperança. “Ganhando ou perdendo, vamos continuar assim, porque levamos 52 anos para chegar aqui”, disse ele.
A euforia desta geração do futebol mostra que, apesar das crises, o futebol une e dá força a uma nação que não desiste.




