O G7 começa no Canadá sob a sombra das tensões comerciais
A cimeira do Grupo dos Sete (G7) começou esta segunda-feira nas Montanhas Rochosas canadianas, marcada pela memória dos confrontos diplomáticos durante a presidência de Donald Trump. A reunião, que reúne líderes dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá, tem como principal objetivo evitar escaladas num contexto de crescentes tensões económicas e geopolíticas.
O legado das tensões do passado
Em 2018, a cimeira do G7 no Quebec culminou num episódio que permaneceu gravado na memória colectiva: Trump recusou-se a apoiar a declaração conjunta do grupo e lançou críticas públicas contra os seus anfitriões canadianos. Este ano, as tensões persistem, especialmente em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos a aliados comerciais como a União Europeia, o Japão e o Canadá. Trump manteve uma posição firme, afirmando que estas medidas são necessárias para proteger os interesses económicos americanos.
“A administração Trump acredita que nenhum acordo é melhor do que um mau acordo”, disse Caitlin Welsh, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. Esta filosofia levou a que, pela primeira vez em anos, não se espere uma declaração conjunta no final da cimeira.
Os desafios atuais do G7
Além dos litígios comerciais, os líderes do G7 enfrentam múltiplas crises globais, incluindo a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza e as tensões nucleares com o Irão. A isto somam-se desafios como as alterações climáticas, a migração irregular e o avanço de tecnologias disruptivas, como a inteligência artificial.
Trump, que participará em reuniões bilaterais com líderes como o primeiro-ministro canadiano Mark Carney e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, deixou claro que a sua prioridade continua a ser a renegociação de acordos comerciais. “Temos nossos acordos. Só precisamos enviar uma carta: ‘Isso é o que você terá que pagar'” declarou ele antes de partir para o Canadá.
Enquanto isso, outros membros do G7, como a Alemanha e o Reino Unido, tentam manter um tom conciliatório. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sublinhou a importância de uma relação funcional com Trump, embora sem ceder em questões fundamentais como as tarifas.
O futuro do grupo em dúvida
A coesão do G7 está em questão devido às políticas unilaterais dos Estados Unidos. Alguns analistas questionam se o grupo continua relevante num cenário em que os seus membros não conseguem alinhar as suas estratégias económicas e de segurança. A Rússia, que foi expulsa em 2014 após a anexação da Crimeia, continua a ser um factor de divisão, especialmente devido ao apoio militar ocidental à Ucrânia.
O Canadá, como anfitrião, procura mediar as discussões, mas enfrenta o ceticismo de seus parceiros. “Não podemos mais ver os Estados Unidos como um aliado incondicional”, admitiu Carney em declarações recentes, refletindo a deterioração nas relações transatlânticas.
Com a ameaça de novas tarifas e a crescente influência da China no comércio global, esta cimeira poderá definir se o G7 conseguirá reinventar-se ou se a sua relevância continuará a diminuir.
Você se interessa por política internacional? Compartilhe esta análise e descubra mais conteúdos sobre relações globais em nossas redes sociais. #G7 #Diplomacia #EconomiaGlobal




