O Prestígio, aquele troféu abstrato que todo mundo quer mas ninguém sabe onde colocar
Parece que o destino do futebol continental está decidido esta noite, amigos. Não é exagero, certo? Quatro jogos, oito equipas e o peso monumental do… prestígio? O prestígio agora é medido em troféus por polegada quadrada? Porque o que temos esta noite é nada mais nada menos do que uma série de duelos onde, aparentemente, a MLS e a Liga MX jogam a sua honra num jogo de póquer com cartas marcadas.
Tal como nas duas edições anteriores do concurso, o domínio esmagador dos elencos americanos era mais do que óbvio. Tanto que os organizadores, numa genuína preocupação com a paridade, decidiram mudar o formato da competição. O seu nobre objectivo: garantir que, pelo menos até estes oitavos-de-final, houvesse um representante de cada liga. Que tocante. É quase como se eles arrumassem as cadeiras no convés do Titanic para que todos tivessem uma boa visão do iceberg.
O show deve continuar, com ou sem atores principais
A fase eliminatória começa no paraíso terrestre do futebol moderno: Miami. O Inter Miami tem a sorte duvidosa de lidar com o mistério de Lionel Messi. Porque, sejamos realistas, quem precisa do melhor jogador de todos os tempos quando se pode ter uma montanha-russa de especulações sobre a sua condição física? Contra eles, os Tigres não recuam. Eles chegam com seu novo reforço argentino, Ángel Correa. Será suficiente para contrariar o circo mediático? Só o tempo, e talvez um milagre, dirá.
Enquanto isso, na meca do cinema, Los Angeles, outra batalha épica está sendo travada. O campeão mexicano, Toluca, enfrenta o Orlando City. Os números frios dizem que a seleção mexicana dobra o valor monetário do rival. Claro, porque no futebol moderno o que realmente importa é o preço e não aqueles pequenos detalhes como o golo, a paixão ou o simples facto de jogar bem. Orlando, dizem-nos, tem “bom futebol”. Uma descrição tão vaga e genérica que poderia facilmente ser aplicada a uma equipe de crianças do jardim de infância correndo atrás de uma bola.
Em Seattle, Puebla tem a tarefa nada invejável de visitar os Sounders. O detalhe? Os Sounders acabaram de disputar a Copa do Mundo de Clubes. Porque nada prepara melhor para uma partida da copa regional do que ter competido contra os melhores times do planeta. É como ir a uma briga no bairro depois de lutar boxe com Tyson. Exagero? Não.
E se não bastasse, também em Los Angeles, o time local, o Galaxy, faz as honras do Pachuca. Outra das “grandes esperanças” do México. Porque neste caso o México parece ter mais esperança do que um bombeiro num armazém de fogos de artifício.
Para finalizar esta joia do absurdo, um fato crucial nos é revelado: se a Copa das Ligas tivesse classificação geral e não por liga, apenas Toluca e Tuzos del Pachuca estariam nas quartas de final. Mas não, o formato é o formato, e é por isso que quatro seleções mexicanas têm a “grande oportunidade” de qualificação. É uma oportunidade ou uma armadilha destinada a tornar a queda mais retumbante? Quem sabe. A verdade é que pela primeira vez desde que as 18 equipas da Liga MX desafiaram as da MLS – aquela liga que, supostamente, tinha um nível inferior – talvez, só talvez, possamos assistir a uma final com sabor a guacamole. Ou talvez não. No final, o único resultado garantido é um bom espetáculo e muito material para sarcasmo.
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