Carlo Ancelotti demorou para se tornar popular no Brasil. Chegou com um elenco derrotado e o empate sem brilho contra o Marrocos não ajudou. Mas duas vitórias consecutivas por 3 a 0 – contra Haiti e Escócia – devolveram a confiança à Canarinha, que já está na fase de mata-mata com aspirações ao título.
A ligação de Ancelotti com o país
“Ele é o melhor treinador de todos os tempos”, diz o torcedor Luca Scapinelli antes da vitória contra a Escócia. “Cinco Ligas dos Campeões, ele venceu todas as principais ligas europeias. Ele pode contribuir muito. Há muito tempo que não tínhamos um treinador tão bom.”
Esse recorde explica por que o Brasil, sem título mundial desde 2002, contratou o italiano há pouco mais de um ano. Em sua apresentação, Ancelotti afirmou que sempre sentiu “uma ligação especial” com o país e que entende “muita expectativa de que o Brasil volte a ser campeão”.
Agora essa conexão é manifesta. Contra a Escócia, o público aplaudiu o seu nome. “Gosto que ele realmente tenha entrado na cultura brasileira”, diz Caio Monteiro, fã de Belo Horizonte. “Ele queria aprender o hino, queria aprender português e conseguiu isso em poucos meses.”
Alguns torcedores desconfiaram de um técnico estrangeiro, mas isso se dissipou. “Se você olhar para o nosso campeonato no Brasil, todos os melhores times têm treinadores estrangeiros”, lembra Humberto Silva, de São Paulo. “É assim que tem que ser agora.”
Vinícius Júnior, o fator chave
O denominador comum do sucesso brasileiro no torneio tem sido Vinícius Júnior. A estrela do Real Madrid, que já teve dificuldades com a seleção nacional, marcou em todos os jogos da Copa do Mundo – incluindo dois contra a Escócia – num total de quatro gols.
Ancelotti comandou Vinícius em Madrid de 2021 a 2025 e o transformou em uma figura mundial. Ganhou duas Ligas dos Campeões, duas Ligas espanholas e uma Copa del Rey. “É gratificante porque não tive dúvidas sobre como poderia chegar a esta Copa do Mundo”, disse Ancelotti. “Para ele é uma honra jogar pela seleção nacional. Ele é um dos melhores do mundo, obviamente.”
Após o gol contra o Haiti, Vinícius destacou que o técnico o ajudou a marcar mais ao mudar de posição. “Preciso ouvi-lo mais. Com certeza quando chegarmos ao vestiário diremos que ele entende muito de futebol”, brincou.
O Brasil recuperou a confiança e a figura de Ancelotti, aos 67 anos, parece se consolidar como o líder que o pentacampeão precisava.




