Isenções para ultraortodoxos em Israel: uma decisão política com consequências militares
O Parlamento de Israel (Knesset) aprovou duas leis que, na prática, impedem o recrutamento de homens ultraortodoxos para o exército. A medida, promovida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, procura garantir o apoio dos partidos religiosos antes das eleições de 27 de outubro.
Uma das regras congela as prisões de quem foge da prisão. A outra consagra o estudo da Torá como “valor fundador” do Estado, o que fornece uma base jurídica para se opor às decisões do Supremo Tribunal que consideram ilegais estas isenções.
Rejeição dentro e fora do Governo
O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, descreveu as medidas como “incompatíveis” com as necessidades do Exército. Numa carta a Netanyahu e ao ministro da Defesa, ele escreveu:
“É inconcebível que o sistema militar sob meu comando, que exige sacrifícios sem precedentes de seu pessoal, participe da concessão de isenções em massa de processos judiciais.”
O líder da oposição, Yair Lapid, disse que a lei é “uma profanação absoluta do nome de Deus” e “cospe na cara” dos soldados.
Contexto histórico e números
As isenções existem desde a fundação de Israel em 1948, mas o Supremo Tribunal declarou-as ilegais. O debate ressurge num momento em que o Exército enfrenta escassez de pessoal após quase três anos de conflitos armados em Gaza, no Líbano e no Irão.
Todos os anos, cerca de 13 mil jovens ultraortodoxos completam 18 anos, mas menos de 10% alistam-se, de acordo com uma comissão parlamentar. O primeiro-ministro procura o apoio dos haredis para as próximas eleições; Analistas apontam que ele tenta fazer com que negociem apenas com ele após as eleições.
Para o legislador ultraortodoxo Moshe Gafni, a aprovação é histórica. Ele afirmou:
“Durante milhares de anos, o estudo da Torá foi a força que preservou o povo judeu. Esta lei será uma bússola para os valores do Estado.”
A decisão gera tensões até dentro do partido no poder e abre um debate sobre o equilíbrio entre tradição e necessidades de defesa.




