Irã condiciona acordo com os EUA sobre retirada israelense do Líbano

Teerã exige a saída das forças israelenses do sul do Líbano para fechar o pacto.

O acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à crise no Médio Oriente enfrenta novos obstáculos. O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, condicionou a sua aceitação à retirada das forças israelitas do sul do Líbano. Uma exigência que Israel rejeita e que poderia inviabilizar o pacto.

Exigências iranianas

Araghchi afirmou que a presença israelense em território libanês impede um verdadeiro encerramento do conflito. Um responsável norte-americano garantiu, no entanto, que o acordo não contempla tal retirada. Benjamin Netanyahu afirmou que o seu país manterá a sua presença militar “enquanto for necessário”.

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O plano de cessar-fogo, ainda não publicado, gerou interpretações contraditórias entre as partes. Embora Israel não seja parte direta no acordo entre Washington e Teerão, o seu papel é fundamental devido à sua participação contra o Irão e o grupo Hezbollah no Líbano.

Donald Trump manifestou reservas relativamente à acção israelita e destacou que o prolongamento das operações militares complica o progresso do pacto. Ele também disse estar disposto a enviar o acordo ao Congresso para revisão, em meio a pressões políticas internas.

O acordo, mediado pelo Paquistão e pelo Qatar, prevê a abertura do Estreito de Ormuz e subsequentes negociações sobre o programa nuclear iraniano. Os líderes do G7 apoiam o progresso diplomático, mas alertam que ainda restam pontos críticos antes da assinatura formal.

FMI e Venezuela: pedem fundos de emergência após terremotos

FMI confirma apelo à Venezuela para libertar 350 milhões de dólares em ajuda humanitária após terramotos.

Chamada importante entre Georgieva e Rodríguez

O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou esta quinta-feira que a sua diretora-geral, Kristalina Georgieva, conversou por telefone com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. A questão central era o acesso à tranche de reserva do país na organização, um mecanismo de liquidez imediata avaliado em aproximadamente 350 milhões de dólares, destinado a cobrir necessidades humanitárias urgentes.

A porta-voz do FMI, Julie Kozack, explicou que ambos os responsáveis ​​analisaram o impacto económico e as necessidades humanitárias causadas pelos dois terramotos de 24 de Junho. Até agora, os terramotos causaram mais de 3.800 mortes, quase 17.000 feridos e deixaram quase 18.000 pessoas desalojadas no norte do país.

“É uma fonte de liquidez importante e facilmente disponível que pode ser mobilizada rapidamente para ajudar a atender às necessidades humanitárias urgentes decorrentes do desastre”, explicou Kozack.

Recursos disponíveis e contexto político

Esta tranche de reserva é independente dos Direitos de Saque Especiais (DSE) retidos pelo FMI, que ascendem a cerca de 4,5 mil milhões de dólares. No total, os ativos da Venezuela na organização somam quase 5 mil milhões de dólares. O FMI indicou que tem trabalhado com homólogos para facilitar o acesso aos recursos próprios do país.

A conversa ocorre à medida que os esforços de resposta a emergências e avaliação de danos continuam em diversas regiões. Dias antes dos terramotos, a Venezuela restabeleceu totalmente a sua adesão ao FMI, após anos de distanciamento durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Esta abordagem ocorre no novo contexto político após a captura de Maduro pelas forças dos EUA em 3 de janeiro.

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Alertas da OPAS: riscos à saúde após terremotos na Venezuela

OPAS alerta sobre surtos e falta de água após terremotos na Venezuela.

Riscos imediatos para a saúde

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou que os maiores riscos após os terremotos de 24 de junho na Venezuela não vêm apenas dos feridos. O acesso limitado às vacinas, a interrupção dos serviços médicos de rotina e as deficiências no abastecimento de água potável são as principais ameaças.

“Nas próximas semanas, os maiores riscos à saúde poderão surgir não apenas de lesões causadas por terremotos, mas também de interrupções nos serviços de saúde, nas condições de acesso aos cuidados médicos, nas deficiências de água e saneamento e no acesso à vacinação e aos cuidados médicos de rotina”, disse Jarbas Barbosa, diretor da OPAS, em uma videoconferência em Washington.

A OPAS colabora com o Ministério da Saúde da Venezuela para detectar surtos em abrigos. Barbosa explicou que as doenças respiratórias, como a gripe, se espalham rapidamente em pequenos espaços. As condições resultantes do consumo de água não potável ou de alimentos estragados também são preocupantes.

Danos e necessidades

Armando Denegri, representante da OPAS na Venezuela, informou que três hospitais sofreram danos estruturais e foram evacuados. Outros 24 tiveram danos que comprometeram temporariamente o seu funcionamento, embora a maioria deles já tenha sido reparada.

“50% dos profissionais de saúde de La Guaira foram diretamente afetados. Alguns desapareceram, alguns morreram, outros foram muito afetados pela crise, impactando suas famílias”, detalhou Denegri, sem especificar mais.

A OPAS estima que serão necessários 24 milhões de dólares para cobrir necessidades urgentes de saúde até ao final do ano. Segundo Barbosa, este montante permitirá manter serviços, apoiar a reabilitação e restaurar instalações.

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram com 39 segundos de intervalo ao longo da cordilheira costeira do norte da Venezuela, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Eles foram os mais fortes do país em mais de um século.

As autoridades venezuelanas relataram 3.811 mortes e 16.740 feridos em Caracas, La Guaira e Miranda. A maioria das mortes concentrou-se em La Guaira, 20 quilômetros ao norte de Caracas. O governo da presidente interina Delcy Rodríguez estimou que 18 mil pessoas perderam suas casas e agora vivem em escolas, parques e praças públicas.

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Morte de mexicano em Houston gera campanha de apoio

Comunidade hispânica nos EUA arrecada fundos e exige investigação após morte de Lorenzo Salgado.

O caso de Lorenzo Salgado Araújo

A morte do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, 52 anos, em 7 de julho em Houston, após ser baleado por um agente do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE), gerou choque na comunidade hispânica.

A Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos (LULAC) lançou uma campanha GoFundMe para apoiar a família. Até esta quinta-feira, foram arrecadados 242.109 dólares (4,2 milhões de pesos) de uma meta de 350 mil. Entre os doadores destaca-se o activista Carlos Eduardo Espina.

“Lorenzo foi tirado daqueles que mais o amavam. Ele era marido, pai de três filhos, dono de um pequeno negócio e a alma de sua família”, afirma a campanha.

Os fundos irão para despesas funerárias e legais e necessidades diárias da esposa e dos filhos.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirma que Salgado tentou fugir e bateu com seu veículo em um agente, que atirou em legítima defesa. No entanto, a família e os ativistas exigem uma investigação independente. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o ICE perseguindo o caminhão, não o mexicano atacante.

LULAC relembrou o caso de Renee Good, onde versão semelhante foi desmentida por vídeos.

Centenas de pessoas protestaram na quarta-feira no bairro Magnolia Park. César Espinosa, da FIEL Houston, declarou:

“Este é o lugar onde Lorenzo deu seu último suspiro. Se eles vierem atrás de um de nós, eles virão atrás de todos nós.”

A ativista Conchita Reyes, em nome da família, disse:

“Meu pai foi baleado e sangrou até a morte. Ele não merecia morrer. Ele merecia voltar para casa, para sua esposa.”

A organização exige que o nome de Lorenzo Salgado seja repetido e que os factos sejam esclarecidos.

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