O Inegi divulgou seu relatório matinal e, surpresa: a inflação geral moderou para 4,45% em abril, caindo de 4,59% em março. Parece uma boa notícia, certo? Não fique tão animado.
Porque o diabo, como sempre, está nos detalhes. O componente não subjacente – aqueles preços voláteis que arruínam o seu orçamento – continua a ser um problema. O tomate, embora tenha desacelerado de 42% para 19,25%, ainda faz chorar no supermercado. E os chiles: o poblano subiu 41,42%, o serrano 36,27%. Para se ter uma ideia, comprar pimenta é quase um luxo.
O que realmente dói
A gasolina premium subiu 6,16%, chegando a 29 pesos por litro. Claro que existe um acordo federal com os postos de gasolina para que não ultrapasse os 27, mas já vemos como esses acordos são respeitados. O gás LP subiu 1,56% e o ônibus urbano 3,44%, porque o diesel não perdoa. Enquanto isso, o Banco do México se reúne hoje para decidir se baixa a taxa de juros de 6,75%. Spoiler: Espera-se um corte de 25 pontos, mas a esses preços, até que ponto isso é responsável?
O que aconteceu
Para não ser um desmancha-prazeres: a electricidade caiu 14% (graças aos subsídios sazonais), o transporte aéreo 7,52% e produtos como tomate verde, frango, ovos e limões tiveram reduções. Mas tenha cuidado, estes alívios são temporários e não compensam o golpe na energia e na agricultura.
Estados na mira
Durango, Jalisco, Zacatecas, Chihuahua e Sinaloa superaram a média da inflação nacional. Por outro lado, Tabasco, Yucatán, Campeche, Coahuila e Quintana Roo reportaram inflação negativa. Quer dizer, lá os preços até caíram. A geografia da fome, como sempre, é um mapa irregular.
Os dados chegam justamente quando o Banxico anuncia sua decisão tarifária. Veremos se o discurso oficial coincide com a realidade bolsonarista. Porque enquanto os números moderam, o tomate e a gasolina continuam a ser os reis da festa.




