A nova lei de infraestrutura e os alarmes que ninguém quer ouvir
Enquanto o governador de Tamaulipas visitava lojas de tartarugas e postos de gasolina, o Instituto Mexicano de Competitividade (IMCO) emitiu um alerta que deveria fazer barulho. Sobre o projeto de lei para acelerar investimentos em infraestrutura apresentado pela presidente Claudia Sheinbaum.
A proposta visa acrescentar 722 bilhões de pesos adicionais ao plano 2026-2030. Dinheiro fresco através do coinvestimento público-privado. Parece bom, certo? O problema está nos detalhes escondidos por trás do discurso do desenvolvimento.
Três riscos que não são qualquer coisa
A IMCO identificou pelo menos três problemas graves. Primeiro: não há especialistas técnicos independentes na equação. Segundo: não há certeza orçamental para além de 2030. Terceiro: os retornos para atrair investimento privado podem não ser proporcionais ao risco real de cada projecto.
“A variável dos fluxos de receitas será decisiva para a viabilidade financeira dos projetos”
Mas há mais. A palavra mágica que sempre aparece nestes casos: discrição. A iniciativa permite que projetos estratégicos sejam autorizados fora dos processos licitatórios tradicionais. Sem proteção legal clara. Sem regras transparentes sobre como os custos são deduzidos antes da distribuição dos benefícios.
Parece familiar? Eu também.
A IMco não se opõe ao investimento em infra-estruturas – pelo contrário. Mas sugere um modelo mais descentralizado onde as empresas podem desenvolver projetos por conta própria. Segundo eles, isso permitiria maior escala, velocidade e diversidade… sem reduzir a ambição.
Enquanto isso, continuamos visitando fazendas de tartarugas. Porque alguns problemas são mais fotogênicos que outros.




