O filho de uma lenda fala sobre o estado da música
Imagine isto: um tapete vermelho, flashes piscando e, no meio do showbiz, José Alfredo Jiménez Medel, filho do icônico José Alfredo, decide revelar uma verdade como um soco. Ele não foi falar exatamente sobre o tempo. Aproveitou o lançamento do álbum tributo “Regálame esta noche”, dedicado a Roberto Cantoral, para dar uma masterclass sem filtros sobre a deterioração artística que vê no cenário musical moderno. No fundo, o senhor de 59 anos veio dizer o que todos pensamos mas com mais elegância e o peso de um apelido que é sinónimo de música de verdade.
De acordo com seu diagnóstico, o conteúdo das letras ficou em segundo, terceiro e até quarto lugar. Parece que os algoritmos para se tornar uma superestrela global agora dependem de tudo, menos do talento bruto. É o crepúsculo da música bem feita, gente, e ele foi até a trincheira para contar.
A receita do sucesso (de acordo com a nova ordem musical)
O herdeiro do fazendeiro não mordeu a língua e soltou a bomba: “Acho que é uma tendência que hoje em dia quem usa menos roupa, fala as coisas mais grosseiras, canta as coisas mais vulgares, é o que vende e isso é triste.” Ou seja, o manual para ser famoso agora inclui um guarda-roupa mínimo e um vocabulário que faria sua avó sorrir. Que época em que a profundidade emocional era o passaporte para a imortalidade, certo?
Embora, para ser justo, nem tudo esteja perdido na paisagem sonora. O senhor Jiménez Medel é sábio o suficiente para reconhecer que, em cada geração, sempre surge alguém iluminado que consegue transcender apesar do ruído e da crise de criatividade. Um sortudo que se salva do naufrágio coletivo.
Mas vamos fazer uma viagem no DeLorean, porque antes as coisas eram diferentes. Na época de ouro do pai, Roberto Cantoral, a competição era acirrada, mas do tipo bom, do tipo que faz história. Imagine ter que competir com a genialidade de Agustín Lara, a poesia de Álvaro Carrillo ou o romantismo de Armando Manzanero. Não foi uma batalha por riachos, foi uma guerra de titãs onde apenas os mais brilhantes sobreviveram. Hoje a batalha parece ser para ver quem tem a coreografia mais viral no TikTok.
O público tem o poder (e a responsabilidade)
E aí vem o plot twist, a parte em que nós, o público, somos destacados (e com razão). José Alfredo Jiménez Medel acredita com fé cega que esta crise musical é, em parte, culpa nossa. Sim, de você e de mim. Temos a última palavra, o poder do jogo, e não somos suficientemente exigentes. Sua teoria é que se parássemos de consumir músicas vazias, os artistas seriam forçados a elevar seu nível e criar músicas com qualidade e substância. Basicamente, é uma greve do consumidor contra a música descartável.
E para encerrar com chave de ouro, ele nos deixou uma reflexão sobre a essência do legado de Roberto Cantoral: “A genialidade do Maestro Cantoral foi conseguir captar aqueles sentimentos que são tão difíceis de viver e bem, é isso que nos aproxima da imortalidade, porque suas frases transcendem, você se identifica e as torna suas”. Aí está, o segredo não é ser viral por 15 segundos, é criar uma arte que te acompanhe por toda a vida.
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