Quando a burocracia encontra um caminhão basculante de realidade
Imagine isto: um grupo de ativistas com mais determinação do que um influenciador no dia da publicação, subindo nos escritórios da Semarnat em Cancún como se fossem a última tendência do TikTok. A razão? Exigir que o governo pare de distribuir autorizações ambientais como se fossem amostras grátis num concerto. Spoiler: a selva maia não é um rodízio.
“Modo Calica” ainda está em reprodução automática
Acontece que, embora o ex-presidente AMLO tenha feito uma novela inteira contra a Vulcan Materials (a empresa por trás da destruição de 2.000 hectares em Playa del Carmen), Semarnat continua repetindo o mesmo roteiro. Agora foi a vez da CEMEX levar o Oscar de “Melhor Desmatamento” com a licença para devastar 650 hectares perto de Tulum. E o Trem Maia? Ah, ele está abrindo dezenas de bancos de materiais como se fossem pop-ups durante a temporada de vendas.
O mais irônico: as consultas públicas são feitas depois de as licenças já estarem assinadas. Quero dizer, é como perguntar: “Você se importa se eu comer sua sobremesa?” quando restam apenas migalhas. Claro, com chuva incluída, porque até o clima aumentava o drama enquanto os do Greenpeace permaneciam em silêncio, com faixas nas mãos, como se fossem figurantes de um filme apocalíptico.
Água subterrânea, a grande esquecida
Aqui está a reviravolta na história: a Península de Yucatán não possui rios de superfície. Toda a água está subterrânea, num sistema de cenotes que agora estão em risco porque as escavações atingem os lençóis freáticos. Tradução: eles estão perfurando como se procurassem o centro da Terra, mas em vez de dinossauros, estão desenterrando poluição para os aquíferos. Sem mencionar o boom imobiliário e os Airbnbs que crescem mais rápido que as ervas daninhas.
A solução, segundo os ativistas: criar corredores biológicos e um diálogo multissetorial. Em outras palavras, pare de agir como se o planeta tivesse um botão de reset. Porque, senhores, não existe “Ctrl+Z” para a selva.
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