A jogada do senador que pode virar a mesa
Os advogados de Enrique Inzunza já bateram à porta do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Eles querem que ele se torne uma testemunha colaboradora. A fonte do Departamento confirmou ao EL UNIVERSAL que isto é real, e que se houver risco de retaliação, poderiam até colocá-lo no programa de proteção a testemunhas, o famoso WITSEC.
“Um traficante de drogas que se entrega e oferece informações se enquadra principalmente na categoria de testemunha colaboradora; se houver risco real de retaliação, ele também pode ser admitido no WITSEC. Ambos os valores são diferentes e podem ser aplicados simultaneamente”, detalha a fonte.
Cuidado: apenas advogados federais registrados nos EUA podem fazer isso. Não é qualquer movimento.
Por que eles o culpam? Um pacto com Los Chapitos
A acusação do Departamento de Justiça é uma bomba: Inzunza, quando era Secretário do Governo de Sinaloa, teria sido o elo direto entre Los Chapitos e o então candidato, agora governador licenciado, Rubén Rocha Moya.
“Assim como Rocha Moya, Inzunza Cazarez se reuniu com os líderes de Los Chapitos e concordou com planos específicos para o governo de Sinaloa apoiar e proteger o Cartel em troca de favores”, afirma o documento.
O preço do apoio eleitoral? Nada menos que o controle da Polícia Estadual de Sinaloa. A acusação é clara: Los Chapitos garantiram a campanha de Rocha e, em troca, administrariam o trânsito dos uniformizados sem interferência.
“Depois que Rocha Moya foi eleito governador, Rocha Moya e Enrique Inzunza Cazarez se reuniram com líderes do cartel… e discutiram que Los Chapitos apoiaram a campanha bem-sucedida e que, em troca, Rocha Moya garantiria que eles tivessem controle sobre a Polícia do Estado de Sinaloa”, detalha a acusação.
A resposta do senador: soberania e calúnia
Inzunza não ficou em silêncio. Em X ele deixou cair um fio digno de um drama político. Ele se autodenomina vítima de calúnia e garante que tudo é uma armação para silenciá-lo por defender a soberania do México.
“Sou um homem que dedicou sua vida a aplicar a Lei e a fazer com que ela fosse respeitada; fiz carreira por mais de 25 anos no Judiciário de Sinaloa, do qual fui Magistrado Chefe por quase 11”, postou.
E concluiu com uma piscadela ao patrão: “Concordo e apoio sem reservas o que foi dito pela nossa Chefe do Estado Mexicano, Dra. Claudia Sheinbaum Pardo: verdade, justiça e defesa da soberania nacional”.
O que vem a seguir?
Inzunza afirma que refutará tudo o que vem do Senado e que responderá a qualquer convocação das autoridades mexicanas. Mas a bola já está do lado dos EUA. Se ele conseguir o acordo como testemunha cooperante, poderá divulgar informações que farão tremer mais de uma mesa em Sinaloa. Isso está apenas começando.




