O teatro da corrupção em Sinaloa: quando o poder se disfarça de narcotráfico
Imagine isto: o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e nove outros funcionários – desde senadores a chefes de polícia – assinaram pelo Ministério Público do Distrito Sul de Nova Iorque para proteger o Cartel de Sinaloa em troca de milhões. Parece roteiro de série, mas é a realidade que estourou esta semana.
“Eles conspiraram com líderes do Cartel de Sinaloa para importar enormes quantidades de narcóticos para os Estados Unidos, em troca de apoio político e subornos”, diz a acusação.
A lista inclui Enrique Inzunza, possível sucessor de Rocha; o prefeito de Culiacán, Juan de Dios Gámez; e vários ex-chefes de polícia. Todos, segundo os EUA, trabalhavam para “Los Chapitos”, filhos de El Chapo.
O que está em jogo?
O Itamaraty já recebeu os pedidos de extradição – e os enviou à FGR para avaliação. Mas aqui está o verdadeiro drama: o governo de Sheinbaum enviará uma “nota de estranhamento” à embaixada dos EUA por vazar a informação. Oh sério? Entretanto, a DEA assegura que estes funcionários “aproveitaram as suas posições para proteger as operações do cartel, facilitando o tráfico de drogas letais”.
O promotor Jay Clayton deixou claro: “O Cartel de Sinaloa não funcionaria tão livremente sem políticos corruptos.”
Os detalhes que machucam
Um dos acusados, Juan Valenzuela – vulgo “Juanito” –, ex-comandante da polícia de Culiacán, é acusado de sequestrar, torturar e matar um informante da DEA. Outro, Dámaso Castro, procurador-adjunto, recebia subornos mensais em troca de informações sobre as operações.
Isto não é apenas política. É a vida de milhares de pessoas em ambos os lados da fronteira. E embora os acusados neguem tudo – Rocha diz que é “uma cortina de fumaça” – as evidências da acusação são devastadoras.
O que está por vir
O FGR tem a bola. Decidirá se há elementos a extraditar. Mas a mensagem de Washington é clara: a responsabilização não tem fronteiras. Enquanto isso, em Sinaloa, as pessoas se perguntam: por quanto tempo um Estado pode ser mantido refém de traficantes de drogas?
Isso está apenas começando. E como diz meu pai: “quando o poder se disfarça de traficante de drogas, mais cedo ou mais tarde a justiça chega”. Esperemos que não seja tarde demais.




