Um sonho centenário (ou como vender fumaça com números impressionantes)
Ah, o Corredor Interoceânico, aquele projeto faraônico que, segundo a presidente Claudia Sheinbaum, “contribuirá para o desenvolvimento econômico de todo o país”. Claro, porque se há algo que o México precisa é de obras mais monumentais, que soam bem nos discursos, mas que, na prática, acabam sendo tão úteis quanto um guarda-chuva no deserto. Mas não nos precipitemos, aqui há dados, muitos dados, para que ninguém perceba que ainda estamos à espera do famoso “colapso económico”.
Conectando mundos (ou pelo menos é o que dizem)
Segundo Sheinbaum, este corredor não apenas conecta Veracruz e Oaxaca, mas é “uma alternativa ao Canal do Panamá”. Oh! Realmente? Porque, até onde sabemos, o Panamá tem um canal e nós… bom, temos um trem que, sim, já transportou 514 mil toneladas de carga. Quantos deles foram promessas quebradas? Eles não especificam isso. Claro, o diretor do projeto, Octavio Sánchez Guillén, garante que “hoje este sonho é uma realidade”. Realidade ou realidade aumentada? Porque com tantas percentagens de progresso (80%, 75,9%, 94%), seria de esperar ver algo mais tangível do que números numa apresentação em PowerPoint.
E não contente em revolucionar o México, agora o corredor chegará à Guatemala. Porque, claro, se algo funciona (ou não) em casa, por que não exportar? É claro que as “conversações com o governo da Guatemala” ainda estão em andamento, o que em linguagem política significa: “Ainda não sabemos como convencê-los de que esta é uma boa ideia.”.
Números, números e mais números (para distrair)
Aqui estão os dados concretos, porque nada diz “sucesso” como uma chuva de estatísticas: 1.200 km de estradas reabilitadas, 30 pistas, 8 pátios de transferência e 1.583 obras de drenagem. Incrível! Mas alguém já perguntou quanto custa tudo isso? Não, melhor não, porque então a história fica arruinada. Claro, eles nos consolam com o fato de que “foram realizadas 800 assembleias comunitárias”. E quantos deles terminaram em “sim, mas não”? Ah, isso não foi mencionado.
E o clássico “criação de empregos” não poderia faltar. Porque, claro, todo projeto faraônico precisa ser vendido como salvação de empregos. “Mais de 100 mil pessoas beneficiadas”, dizem. Beneficiou-se de quê? Com empregos temporários, promessas ou a ilusão de que algo vai mudar? O tempo dirá… ou não.
E agora? (O clássico final otimista)
Enquanto isso, continuaremos vendo como este megaprojeto avança (ou não) entre discursos, números e ocasionais relatórios de progresso. Será o impulso que o Sudeste precisa ou apenas mais um elefante branco na lista? Só o tempo (e o orçamento) dirão.
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