Efeitos imediatos nos mercados financeiros
A escalada das tensões entre o Irão e Israel, chamada por alguns de “a guerra dos 12 dias”, gerou volatilidade nos mercados globais, com repercussões diretas no México. A Bolsa Mexicana registrou queda de 0,3% nesta segunda-feira, enquanto o peso mexicano sofreu pressão na madrugada, atingindo níveis próximos a 19,35 unidades por dólar. Porém, a moeda conseguiu se recuperar parcialmente, fechando em 19,13 pesos por dólar.
Os analistas destacam que o aparente impacto na capacidade nuclear do Irão reduziu temporariamente o risco de uma nova escalada, o que acalmou parcialmente os investidores. Contudo, a incerteza persiste, especialmente no que diz respeito aos preços da energia. O mix de petróleo mexicano fechou em 65 dólares por barril, uma queda significativa em comparação com mais de 70 dólares na semana anterior.
Impacto inflacionário e riscos estruturais
Segundo o Grupo Banamex, o principal canal de transmissão do conflito para a economia mexicana seria através dos preços dos combustíveis e do IEPS. Um aumento sustentado do petróleo bruto poderia gerar maiores receitas fiscais provenientes das exportações, mas também tornaria mais caros os derivados, como a gasolina, da qual o México importa mais de 50% da sua procura.
Gabriela Siller, diretora de análise econômica do Banco Base, alerta que o Banco do México poderá ser forçado a interromper os cortes nas taxas de juros se o conflito pressionar as expectativas de inflação, atualmente em 4,42%. “Os primeiros efeitos limitam-se aos indicadores financeiros, mas um prolongamento do conflito afetaria as exportações, o consumo e o investimento estrangeiro”, disse ele.
Alertas do setor empresarial e respostas recomendadas
O Concanaco destacou os riscos logísticos e comerciais derivados da crise. Octavio de la Torre, seu presidente, apelou às empresas para que reforcem os seus protocolos de gestão de risco e monitorizem de perto a evolução dos preços da energia. Da mesma forma, solicitou ao governo federal que estabeleça mesas de diálogo com o setor privado para desenhar estratégias que protejam o fluxo comercial e a competitividade.
As projeções oficiais de crescimento para 2025 (entre 1,3% e 2,3% do PIB) poderão ser revistas em baixa se o conflito continuar, especialmente dadas as previsões privadas que antecipam um crescimento abaixo de 1% ou mesmo uma recessão técnica.
O que vem a seguir? A evolução das tensões no Médio Oriente será decisiva. Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer aberto e as cadeias de abastecimento não forem perturbadas, os efeitos poderão ser contidos. No entanto, qualquer escalada militar teria consequências imediatas nos custos de transporte, seguros e energia.
Compartilhe esta análise em suas redes sociais e mantenha-se informado sobre como os eventos globais impactam a economia local. Explore mais conteúdo sobre mercados e geopolítica em nossa seção especializada.




