Estratégia “Se funcionou, não toque” de Luke Donald
Parece que Luke Donald encontrou uma fórmula mágica para ganhar a Ryder Cup e, num ato de audácia sem precedentes, decidiu… copiar e colar a si mesmo. Por que inovar quando você pode repetir? O capitão da seleção europeia revelou a sua lista de doze titãs do golfe para a próxima edição do evento e, ah, surpresa: onze deles já estavam lá há dois anos. É como se sua série favorita renovasse a temporada, mas exatamente com os mesmos episódios. Fresco e emocionante.
Os sortudos escolhidos para se juntar à gangue de Roma são Shane Lowry, Jon Rahm, Sepp Straka, Viktor Hovland, Ludvig Aberg e Matt Fitzpatrick. Donald anunciou-os com a pompa de quem revela os ingredientes de uma receita secreta que todos já conhecíamos. A grande novidade, a reviravolta na história que ninguém esperava, é a troca de um gêmeo Hojgaard pelo outro. Sim, ele substituiu Nicolai por seu irmão idêntico, Rasmus. Porque, convenhamos, o que é um time de golfe sem um toque de drama familiar e potencial confusão no campo? Ele é o único novato do time, o que faz da Europa o equivalente àquele amigo que sempre pede a mesma coisa no restaurante.
A dificuldade de jogar como visitante e outras coisas óbvias
“Obviamente há muita continuidade em Roma”, disse Donald, provavelmente enquanto olhava uma foto da equipe de 2023. “É incomum ter tantas pessoas voltando, mas isso só mostra o quão bons esses jogadores são”. Claro, ou talvez mostre quão pouco o cenário do golfe europeu mudou em dois anos. Ou que Donald tem medo de escolher novos rostos. Mas quem somos nós para questionar o estrategista?
Ele não esqueceu de deixar cair a pérola obrigatória: “Embora tenhamos muita continuidade, este é um desafio diferente quando se joga no exterior, nos Estados Unidos. Entendemos o quão difícil isso é.” Nossa, jogar como visitante é mais difícil? Que revelação profunda! Aqui pensamos que o time da casa estava recebendo flores e abraços, e não o rugido de uma multidão hostil e os verdes se comportando de maneira caprichosa.
A última vez que a Europa teve apenas um estreante foi em 2012, com Nicolas Colsaerts, no famoso “Milagre de Medinah”. Uma comparação que, claro, não pressiona o pobre Rasmus Hojgaard. Nenhum. Basta imitar um dos momentos mais épicos da história do golfe europeu. Boa sorte, campeão!
As lágrimas de Wallace e o elefante na sala: LIV Golf
Enquanto Donald dava abraços, Matt Wallace chorou no domingo ao falar sobre o que significaria ser selecionado. Ele ficou em 12º lugar no ranking, logo fora do cut. Mas, numa reviravolta do destino, Donald escolheu… Jon Rahm. Sim, o mesmo Jon Rahm que é bicampeão importante, ex-número um do mundo e que agora coleciona cheques gigantes na liga LIV Golf. Uma decisão arriscada, certo? Traga um dos melhores golfistas do mundo. Que imprudência.
Isso levanta a eterna questão: a forma atual ou o pedigree são mais importantes? Donald respondeu com um retumbante “pedigree!” incluindo Rahm, embora seu circuito atual não conceda pontos no ranking mundial. É quase como se o talento de classe mundial permanecesse… de classe mundial, independentemente de onde competem. Um conceito revolucionário.
A seleção americana: uma vantagem ou uma bomba-relógio?
Do outro lado do lago, o capitão Keegan Bradley fez seu anúncio na semana passada. E a grande notícia foi que, num ato de humildade olímpica ou de puro realismo, ele não se incluiu. Imagine a cena: ter o poder de escolher qualquer pessoa e dizer “não, melhor não”. Respeitável, ou talvez um movimento calculado para evitar o constrangimento de ser o capitão que escolhe a si mesmo e depois perde.
Bradley selecionou Justin Thomas, Collin Morikawa, Cameron Young, Ben Griffin, Sam Burns e Patrick Cantlay. Eles se juntarão às eliminatórias automáticas: Scottie Scheffler, Xander Schauffele, Harris English, Bryson DeChambeau, J.J. Spaun e Russel Henley. Os americanos terão quatro novatos, o que ou injeta sangue novo e entusiasmo ou cria um caos absoluto no vestiário. Quem sabe! A seleção dos EUA em casa é sempre a favorita, mas às vezes vimos como esse filme termina.
A batalha está servida. Por um lado, a experiência calculada e quase repetitiva da Europa. Por outro lado, uma mistura de estrelas consagradas e novos talentos dos EUA. Tudo isso no acirrado Coliseu Bethpage Black, onde os espectadores nova-iorquinos não sussurram exatamente palavras de incentivo ao rival.
A continuidade será a chave do sucesso ou o maior erro de Luke Donald? Será que a seleção europeia conseguirá o quase impossível e vencer fora de casa? Setembro traz-nos um espetáculo de ferros, madeiras e claro, muita ironia do golfe.
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