Supostas irregularidades nas eleições judiciais de Nuevo León
A gestão do governador Samuel García enfrenta graves acusações por supostamente organizar uma operação interna para influenciar as eleições judiciais marcadas para 1º de junho. Segundo funcionários do estado, funcionários públicos foram recrutados para votar em candidatos relacionados ao partido no poder, usando métodos coercitivos e simulações prévias.
Mecanismos de pressão e coleta de credenciais
Funcionários de vários secretariados e organizações estatais relataram que foram obrigados a entregar até 10 credenciais do INE, quer de colegas, quer de familiares, com o objectivo de alterar os resultados eleitorais. Embora as eleições em Nuevo León incluam apenas cargos federais – a renovação do Judiciário local está prevista para 2027 – fontes garantem que a pressão é intensa e sistemática.
Os funcionários envolvidos revelaram que foram realizados pelo menos seis simulados para praticar o processo de votação. Durante estas provas, os participantes são convidados a fotografar o seu título de eleitor, cédulas e um código QR personalizado, que servirá para verificar a sua participação. “Eles vão nos dar instruções específicas: o nome do candidato, a cor ou o número da cédula”, explicou um funcionário sob condição de anonimato.
Cotas institucionais e ameaças ao emprego
De acordo com depoimentos, algumas agências estabeleceram metas numéricas. Por exemplo, o Ministério da Educação exigiria 500 votos por Unidade Regional, enquanto o Instituto de Controlo de Veículos (ICV) exige pelo menos cinco credenciais por funcionário. “Ameaçam-nos com despedimentos se não cumprirmos”, disse uma das fontes, destacando o clima de intimidação.
O procedimento descrito inclui o envio de prova fotográfica no dia da eleição, onde deverá constar o boletim de voto marcado, a credencial e o código QR atribuído. “É uma forma de controlar quem segue as ordens”, acrescentou outro denunciante. Até ao momento, os trabalhadores não receberam a lista final dos candidatos em quem devem votar, mas antecipam que esta será entregue nos próximos dias.
Implicações legais e transparência eleitoral
Estas práticas, se confirmadas, violariam os princípios fundamentais do sufrágio livre e da neutralidade institucional. Especialistas em direito eleitoral alertam que a utilização de recursos públicos para coagir eleitores constitui crime grave, enquanto as organizações civis exigem uma investigação imediata. A falta de transparência nos exercícios e a recolha massiva de credenciais levantam dúvidas sobre a legitimidade do processo.
O caso também levanta questões sobre a autonomia do Judiciário e a possível exploração de funcionários para fins partidários. Embora o governo estadual não tenha respondido oficialmente às acusações, a controvérsia pode aumentar em meio ao escrutínio público e da mídia.
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Fontes: Depoimentos de funcionários públicos sob sigilo e documentos internos revisados por esse meio.




