Cuba fecha enquanto ajuda é desviada

A ilha enfrenta apagões e escassez depois de perder o fornecimento de petróleo bruto. Um exilado denuncia que a ajuda não chega à cidade.

A crise que desencadeia os protestos em Cuba

A situação na ilha é crítica. Um declínio drástico nas suas reservas de combustível, agravado por pressões externas, paralisou a vida quotidiana. Apagões constantes e escassez de alimentos e medicamentos são agora a norma.

A origem do problema é clara: o fluxo vital de petróleo bruto da Venezuela foi interrompido. A pressão aumentou quando a anterior administração dos EUA ameaçou aplicar sanções a qualquer país que tentasse vender combustível a Cuba.

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Perante o isolamento, a ilha tem tentado sobreviver com gás natural, energia solar e uma produção própria mínima. Mas não é suficiente. A procura interna excede largamente a oferta.

Uma ajuda que não chega ao seu destino

Países como o México enviaram apoio. Na última sexta-feira, a presidente Claudia Sheinbaum relatou o envio de um navio com ajuda humanitária.

Mas há uma reclamação preocupante. José Luis, um cubano que chegou ao México há dois anos, compartilhou com o EL UNIVERSAL o que seus familiares lhe contaram:

“No final das contas, o que o governo cubano está fazendo é usar essa ajuda para vendê-la, em vez de beneficiar a população. O mesmo aconteceu com o combustível quando foi enviado a eles: em vez de entregá-lo ao povo, venderam-no a outros países.”

Embora veja o gesto mexicano com bons olhos, José Luis pede clareza: “deve haver comunicação entre os presidentes. Eles deveriam dizer a ele: ‘Ei, se estou dando para você, dê ao povo’”.

Ele acusa os líderes de viverem confortavelmente enquanto o povo sofre. “O governo… vive confortavelmente, com comida, eletricidade e luxos – até mesmo um avião particular – as pessoas estão morrendo de fome.”

Para ele, o principal problema é interno. “Eles dizem que é por causa do bloqueio, mas eles próprios têm esse bloqueio”.

Vida sem luz ou alimentos seguros

Relatórios oficiais falam de uma restauração gradual da eletricidade. Mas José Luis conta outra realidade da Ilha da Juventude.

“Às vezes passam 16 ou até 18 horas sem eletricidade. Como não há luz, não conseguem cozinhar… A pouca comida que as pessoas têm estraga-se por não conseguirem refrigerá-la.”

Muitas famílias tiveram que recorrer à cozinha com lenha. “Um saco de carvão é muito caro em Cuba”, explica.

O controle estatal sobre os alimentos é total através da “caderneta de abastecimento”. Tudo é racionado: pão, arroz… E também caro e em mau estado.

“Arroz… chega uma hora que até aparece gorgulho nele… E mesmo que as pessoas vejam que tem bicho, só limpam e comem, porque senão morrem de fome.”

O êxodo e uma nova vida

Este clima forçou milhares de pessoas a emigrar. José Luis vendeu sua casa e seu carro para pagar uma viagem inicialmente aos Estados Unidos que terminou no México.

Ele agora descreve sua vida aqui como “estar na glória”. Ele reconstruiu seu patrimônio: carro, moto para a esposa… Ele se lembra do impacto de entrar em uma loja e ver a abundância pela primeira vez.

Embora sinta falta de alguns aspectos do sistema cubano – como os cuidados de saúde gratuitos – ele diz que nada compensa a falta de liberdades.

A sua esperança agora está colocada numa mudança política radical vinda do exterior. Ele quer que se concretizem as declarações sobre uma possível intervenção para acabar com o que chama de ditadura.

Entretanto, em Cuba as pessoas perderam o medo. Os protestos são mais intensos e desafiam abertamente as autoridades, mesmo diante do risco de prisão ou de cortes deliberados na Internet estatal.

Ramiro Valdés, figura-chave da Revolução Cubana, morre aos 94 anos

Morre Ramiro Valdés, histórico líder cubano e companheiro de Fidel Castro.

Ramiro Valdés, o último comandante da Revolução Cubana, morre

Ramiro Valdés Menéndez, comandante da Revolução Cubana e figura próxima de Fidel e Raúl Castro, morreu este domingo aos 94 anos. A informação foi confirmada pelo Partido Comunista de Cuba (PCC) e pelo governo da ilha num comunicado oficial. Não foram divulgados detalhes sobre as causas da morte nem foi informado como será o funeral.

“Ramiro Valdés Menéndez merece o respeito e a admiração do povo de Cuba pela sua dedicação e comprovada lealdade à causa revolucionária”, afirma a nota publicada em Cubadebate.

Valdés fez parte do grupo que assaltou o Quartel Moncada em 1953, ato que deu início à luta armada contra Fulgêncio Batista. Lutou então sob o comando de Che Guevara e recebeu o título honorário de Comandante da Revolução. Ele também foi declarado “Herói da República de Cuba”.

Ocupou altos cargos no governo, incluindo o Ministério do Interior, mas em 1986 deixou o poder após uma discussão com Fidel Castro. Ele permaneceu afastado da vida pública por 17 anos. Em 2003 regressou ao Conselho de Estado. Em 2006, Raúl Castro nomeou-o Ministro das Tecnologias de Informação e Comunicações, apesar de ter mais de 70 anos. Em 2011 tornou-se número três do PCC, atrás apenas de Raúl e José Ramón Machado Ventura. Em 2019 tornou-se Vice-Primeiro Ministro, cargo criado pela nova Constituição.

Conhecido pela sua postura crítica em relação à Internet, em 2007 afirmou: “O cavalo selvagem pode e deve ser dominado, e as infocomunicações, postas a trabalhar pela paz e pelo desenvolvimento”. Ele raramente aparecia em público e nunca falava com a imprensa.

O presidente Miguel Díaz-Canel reagiu nas redes sociais: “A saída física do comandante da Revolução, Ramiro Valdés Menéndez, dói profundamente, como a de um pai.

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Europa sufocante: França em alerta vermelho devido ao calor extremo

A França ativa alertas e restrições em caso de temperaturas superiores a 40°C em meio a uma onda de calor excepcional na Europa.

A França enfrenta uma onda de calor excepcional que obrigou ao cancelamento de comboios, concertos e eventos desportivos, além de restringir o consumo de álcool em zonas sob alerta vermelho. Quase um terço do país está nesse nível, com termômetros chegando a 40°C. A previsão é de uma segunda-feira ainda mais quente.

As autoridades instalaram estações de nebulização na Torre Eiffel e em outros pontos de Paris para resfriar a população. No entanto, os afogamentos estão a aumentar: os meios de comunicação franceses relataram quatro mortes de menores no sábado, enquanto nadavam para combater o calor. Na Alemanha, um homem perdeu a vida no rio Reno e três pessoas continuam desaparecidas. As autoridades de saúde alertam que estes incidentes se agravam durante os períodos de altas temperaturas.

Medidas e preocupações

O governo proibiu o consumo de álcool ao ar livre em áreas sob alerta vermelho e pediu aos organizadores do Dia da Música – festival que reúne multidões em todo o país – que limitassem o consumo de álcool para “preservar os serviços de emergência e permitir que o pessoal médico se concentre no cuidado dos mais vulneráveis”.

“Neste calor, é a única maneira de se divertir saindo”, disse o nadador Nicolás Cruz à Associated Press, enquanto mergulhava no Canal de Saint Martin.

Zouzou Hobbs, inicialmente cético em relação a nadar no obscuro canal urbano, decidiu arriscar: “Mas está calor. Vou arriscar. Precisamos nos refrescar antes desta noite, quando vamos dançar.”

As autoridades estão especialmente atentas aos sem-abrigo e aos idosos. Cerca de 15.000 idosos morreram na onda de calor de 2003 em França, o que suscitou uma reflexão nacional. Este ano, o governo mobilizou serviços de emergência e forças armadas para se preparar para incêndios florestais, impôs vigilância ao abastecimento de água para reactores nucleares e ordenou o encerramento de 845 escolas na segunda-feira.

O calor se espalha pela Europa

Espanha começou o verão com grande parte do país em alerta, com temperaturas a rondar os 40°C, mesmo no interior do País Basco. As atividades esportivas e culturais ao ar livre foram suspensas. Na Itália, oito cidades emitiram alertas de calor (“bandeiras vermelhas”), com temperaturas na casa dos 30 e 40 graus. Em Milão, os proprietários de fazendas instalaram ventiladores e irrigadores para as vacas, enquanto os participantes da Fashion Week se abanavam sob guarda-chuvas.

A Alemanha espera até 39ºC na quarta-feira, e o Reino Unido emitiu um alerta de “calor extremo” para o sul da Inglaterra e País de Gales, com máximas de 38ºC possíveis. O British Met Office lembrou que o recorde para junho é de 35,6 °C desde 1976. Tempestades ameaçam a Alemanha e a Polónia.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de crise e ordenou o planeamento de uma melhor adaptação às ondas de calor “através de ar condicionado, se necessário”. A Organização Mundial da Saúde disse que mais de 200 mil pessoas na Europa morreram de causas relacionadas ao calor nos últimos quatro anos, a maioria delas evitáveis.

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Begoña Gómez, julgada por tráfico de influência em Espanha

A esposa do presidente espanhol será julgada por supostos crimes de corrupção.

Ordem judicial contra a esposa de Sánchez

Um juiz de instrução de Madrid ordenou que Begoña Gómez, esposa do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, fosse julgada no banco dos réus por alegados crimes de tráfico de influência e corrupção. A resolução inclui a entrega do passaporte e a obrigação de comparecer em tribunal quinzenalmente.

O juiz Juan Carlos Peinado argumentou que há risco de fuga. A data do julgamento ainda não foi definida. A decisão judicial intensificou o debate político na Espanha.

Reações e contexto

A oposição exigiu uma resposta do governo socialista. Vários líderes políticos consideram que o caso afecta a integridade do executivo. Por enquanto, Sánchez mantém o apoio à esposa e reiterou a confiança na justiça.

O processo continua e espera-se que as próximas semanas definam o calendário judicial.

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