Os sábios conselhos do bairro, segundo Temo
Em uma demonstração de humildade tão característica quanto um elefante em uma loja de porcelana, o ex-atacante Cuauhtémoc Blanco decidiu, para seu pesar (ou pelo menos é o que ele diz), nos esclarecer com sua pérola de sabedoria sobre o futuro de Javier “Chicharito” Hernández. Acontece que Don Cuauhtémoc não gosta de dar a sua opinião, o que é, claro, o motivo perfeito para divulgar uma daquelas opiniões que repercutem em todos os cantos do mundo do futebol. A sua sugestão, adornada com a poesia de rua do passado, é que o grevista deveria, citamos textualmente, “jogar os sapatos nos cabos e deixá-los lá”. Uma imagem verdadeiramente bucólica, não acham? O romantismo de um par de botins pendurados num poste de luz como um troféu de uma época passada.
Porque, convenhamos, que melhor maneira de honrar uma carreira do que lançar seu equipamento profissional na infraestrutura elétrica pública? Blanco, na sua infinita misericórdia, reconhece que aposentar-se é difícil. Oh sim. É muito difícil sair do vestiário, dos amigos, das anedotas, das piadas… daquele cheiro de linimento e de glórias passadas. Mas chega um momento, nos instrui o filósofo, em que isso simplesmente “não importa mais para você”. E hoje, oh maravilha da modernidade, as crianças estão mais rápidas e mais preparadas. Quase como se a evolução humana tivesse acelerado exclusivamente para deixar para trás os atacantes que estão na casa dos trinta.
O peso de uma lenda e a gravidade dos anos
Blanco, de forma magnânima, fez uma pausa nas férias em Puerto Vallarta para elogiar a carreira do artilheiro. Porque nada diz “respeito” como comparar um jogador de elite com a tradição de pendurar sapatos velhos. Reiterou, caso não tenha ficado claro, que Chicharito fez “coisas muito importantes na Europa”. Coisas tão triviais como marcar gols pelo Manchester United ou pelo Real Madrid, times de bairro sem muita história. Mas aqui está a lição principal, o *savoir-faire* que toda estrela deve dominar: a arte de saber recuar.
E para ilustrar, ele nos conta uma anedota muito científica. Enquanto aproveitava as merecidas férias, começou a assistir ao clássico América x Chivas. E, ah, coincidência, os próprios torcedores, aqueles conhecidos especialistas em desenvolvimento esportivo de alto rendimento, gritaram em uníssono: “não coloque mais Chicharito”. Uma pesquisa de campo tão válida quanto qualquer outra, sem dúvida. Blanco, com cara de pedra, conclui: “Já está difícil para ele”. Uma afirmação tão profunda quanto irrefutável. A solução lógica, claro, não é que a comissão técnica o treine melhor ou o coloque em uma posição onde ele brilhe, mas sim que ele pendure as chuteiras e dê uma chance aos jovens jogadores. Porque o futebol, afinal, é uma fábrica e os jogadores são peças de reposição.
O atacante do Chivas realmente lutou contra lesões e uma seca de gols no retorno para casa. Mas que melhor forma de apoiar um ídolo do que sugerindo sua aposentadoria prematura em entrevista nacional, certo? No final, Blanco lava as mãos com a elegância de um Pontí Pilatos de futebol: “É uma decisão que ele vai tomar”. Claro, porque depois de divulgar tal veredicto na televisão nacional, a pressão social é apenas uma coisa menor.
Então aí está, senhoras e senhores. A joia da coroa dos conselhos não solicitados. Enquanto Chicharito está dividido entre a recuperação e o amor pelo jogo, uma lenda entrega-lhe o cabo para pendurar as chuteiras. Irônico, vindo de alguém que estendeu sua carreira a limites épicos. Mas, como diz o ditado: “Faça o que eu digo, não o que eu fiz”.
O que você acha? Chegou a hora de uma lenda decidir por outra? Compartilhe essa deliciosa dose de ironia do futebol em suas redes sociais e diga-nos se você acha que as aposentadorias deveriam ser sugeridas ou vivenciadas. E não deixe de explorar mais nosso conteúdo para obter as análises mais contundentes do mundo dos esportes.




