Operação Saber: quando quem deveria te proteger é quem te trai
Parece que em Putla de Guerrero, Oaxaca, a linha entre a polícia e os criminosos é tão tênue quanto a paciência de uma geração do milênio sem café. Nesta quinta-feira, numa medida que parece tirada de Narcos, mas com um orçamento menor, quatro membros da polícia municipal foram presos por suas possíveis ligações com o crime organizado. Sim, de novo. Porque, o que seria do México sem a sua dose diária de corrupção institucional?
Armas, câmeras e ação (mas do tipo ilegal)
Nesta edição de “Quem quer ser cúmplice?”, os agentes não só tinham 13 armas irregulares (incluindo espingardas, pistolas e até 10 armas brancas), mas também administravam o Centro de Comando e Controle C2 como se fosse seu streaming privado. Com mais de 50 câmeras de vigilância sob seu comando, é como se tivessem confundido seu trabalho com um episódio de Black Mirror. Agora, sim, o Estado recuperou o controle (e as câmeras, porque nesta época até o crime precisa do seu marketing de conteúdo).
Como se não bastasse, também aplicaram testes toxicológicos, porque neste país até a corrupção vem com uma trilha bônus de vício. A Promotoria de Oaxaca, em um comunicado que mais parece um spoiler do que um boletim oficial, garantiu que a operação (batizada como “Operação Sable”, porque obviamente precisavam de um nome épico) incluía meio exército de instituições: desde o SEMAR e o GN até o C4 e a polícia rodoviária. Basicamente, todos, exceto o Instituto Nacional de Belas Artes.
E o prêmio por “De novo?” vai para…
Caso você pensasse que se tratava de um caso isolado, na segunda-feira, 11 de agosto já haviam sido presas oito pessoas em Pinotepa Nacional, quatro delas também policiais municipais. Coincidência? Não, apenas mais um dia normal no México, onde o crime uniformizado parece ser uma tendência que ninguém pediu, mas com a qual todos nós sofremos.
Enquanto isso, o Estado promete manter o controle “enquanto for necessário”. Isto é, até que o próximo escândalo nos distraia. Porque, sejamos honestos, neste país a segurança e a tranquilidade são como o Wi-Fi público: prometem muito, mas nunca se sabe quando vão falhar.
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