O que não entra pela porta, entra em algum lugar
Outro dia, outra operação. Outra declaração oficial. O Grupo de Operações Especiais do Estado anuncia a “apreensão” de objetos proibidos no centro penitenciário de Culiacán. Em oito dias: 15 celulares, seus carregadores, chips, um modem.
Mas o que realmente mostra o cenário são as 30 pontas fabricadas internamente. Armas caseiras. O eufemismo burocrático não consegue disfarçar o perigo real dentro dos muros.
“Em cada apreensão, o Ministério Público é informado… para que seja aberto um processo de investigação”, diz o boletim.
A pergunta óbvia, aquela que eles nunca respondem: quem os coloca? Como tantos objetos passam pelos controles “reforçados”? A memória é curta, mas os registros não.
No início do ano já haviam descoberto armas de fogo e um artefato explosivo. Agora eles prometem mais “investigações surpresa”. A surpresa seria se não encontrassem nada.
A periferia do centro também é um foco. Na busca mais recente no local, encontraram mais dois celulares e oito instrumentos cortantes. Tudo caseiro. A engenhosidade para infringir a lei parece ser o único ofício bem aprendido internamente.
As autoridades expõem, informam, dão a conhecer. E o contrabando continua. Um ciclo tão previsível que dói. Abre-se uma pasta, estabelecem-se responsabilidades… no papel. Enquanto isso, nos módulos continuam circulando comunicações não autorizadas e ferramentas para violência.
A verdade tem jornalistas, dizem. Mas às vezes a verdade é tão repetitiva que se torna uma notícia supérflua. E isso é o mais triste.




