Sentenças históricas por roubo sistemático de combustível
Um tribunal federal impôs sentenças exemplares a cinco colaboradores do General Eduardo León Trauwitz, ex-vice-diretor de Salvaguarda Estratégica da Petróleos Mexicanos (Pemex), por sua participação em um esquema para desviar mais de 2 bilhões de litros de gasolina e diesel entre 2012 e 2018. Este caso, emblemático da chamada “ordenha de dutos”, representou perdas de 25.197 milhões de pesos ao erário público, segundo cálculos oficiais da Procuradoria-Geral da República (FGR).
Detalhes das sentenças e perfis dos condenados
As principais sentenças foram o General Sócrates Alfredo Herrera Pegueros (segundo em comando em Salvaguarda Estratégica) e o Coronel Emilio Cosgaya Rodríguez (ex-gerente técnico), que receberam 31 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, além de multas de 1,2 milhão de pesos. A mesma pena foi aplicada aos sargentos Ramón Márquez Ledezma (Segurança Física em Cadereyta) e José Carlos Sánchez Echavarría (coordenador em Tampico), evidenciando a penetração do crime em múltiplos níveis operacionais.
Esta decisão judicial deriva de investigações iniciadas em 2019, quando um juiz federal emitiu mandados de prisão contra Trauwitz e outros 12 ex-funcionários por omissões deliberadas que facilitaram o huachicoleo em instalações estratégicas. Os combustíveis roubados – incluindo gasolina Premium e Regular – abasteceram redes de distribuição ilegais em pelo menos seis estados, de acordo com documentos da FGR.
Contexto internacional e situação dos principais arguidos
O General Trauwitz, capturado no Canadá em 17 de dezembro de 2021, enfrenta um processo de extradição após a aprovação inicial pelas autoridades canadenses em abril de 2024. No entanto, sua defesa interpôs recursos judiciais que mantêm a decisão final em suspenso. Entretanto, o ex-militar cumpre medidas cautelares com pulseira eletrónica, facto que tem gerado polémica dada a magnitude dos danos económicos.
Analistas consultados destacam que este caso expõe falhas estruturais nos protocolos de segurança energética durante a última administração, onde o conluio entre autoridades e grupos criminosos atingiu níveis sem precedentes. Dados da Pemex revelam que, só em 2017, foram registradas 14 mil torneiras clandestinas em dutos, com perdas diárias equivalentes a 20% da produção nacional.
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