Desabamento de prédio em Fez deixa 22 mortos e revela falhas estruturais

Uma tragédia evitável abala o coração de Marrocos após o desabamento de dois edifícios, revelando graves falhas no controlo urbano e desencadeando uma investigação judicial.

Uma tragédia urbana no coração de Marrocos

Uma catástrofe estrutural chocou Marrocos após o súbito colapso de dois edifícios residenciais adjacentes na cidade de Fez. O incidente, ocorrido na madrugada de quarta-feira no bairro de Mostaqbal, distrito de Massira, deixou um balanço preliminar de pelo menos 22 mortos e 16 feridos, vários deles em estado grave. O trabalho das equipes de resgate e resgate continua ininterrupto devido ao medo de encontrar mais vítimas nos escombros.

Os prédios danificados, de quatro andares cada, abrigavam oito famílias. Na sequência do alerta, uma mobilização massiva de autoridades locais, forças de segurança e pessoal da Proteção Civil foi enviada para o local para coordenar as operações de busca e socorro. A área foi imediatamente isolada e foi realizada uma evacuação preventiva dos moradores dos edifícios próximos para mitigar qualquer risco adicional de desabamento. Todos os feridos foram transferidos com urgência para o Centro Hospitalar Universitário de Fez (CHU) para receber cuidados médicos especializados.

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Investigação aponta irregularidades na construção

A investigação técnica e judicial iniciada após a tragédia começou a esclarecer suas prováveis causas. Informações preliminares das autoridades indicam uma grave irregularidade urbanística: os edifícios foram originalmente construídos no ano 2007 com uma licença que autorizava apenas dois níveis. No entanto, foi posteriormente realizada uma ampliação ilegal para atingir quatro pisos, sem licenças oficiais ou, presumivelmente, os necessários estudos de engenharia e reforço estrutural.

Vizinhos do setor declararam à mídia que as construções apresentavam rachaduras e fissuras visíveis, sinais de alarme que foram comunicados às autoridades competentes anteriormente, sem que as inspeções técnicas fossem realizadas. Estes dados sugerem uma possível falha nos mecanismos de controlo e vigilância predial por parte das autoridades municipais.

A Procuradoria de Fez assumiu a liderança da investigação para determinar com precisão as causas do colapso e estabelecer possíveis responsabilidades criminais. Como parte fundamental da investigação, solicitou formalmente às autoridades de planeamento urbano e territorial toda a documentação relativa aos alvarás, licenças e planos de construção concedidos para aquela área específica. O objetivo é reconstruir o histórico jurídico das propriedades e avaliar o cumprimento das regulamentações anti-sísmicas de segurança e habitabilidade.

Este trágico acontecimento em Fez não é um incidente isolado na região, mas reflecte um problema mais amplo relacionado com a construção informal e a falta de supervisão no desenvolvimento urbano acelerado. Sublinha a importância crítica de respeitar os códigos de construção, de realizar manutenção periódica em edifícios antigos ou modificados e de estabelecer protocolos de resposta rápida para relatórios de riscos estruturais. A tragédia deixa uma lição profunda sobre as consequências humanas da negligência e da corrupção no setor da construção.

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Ataque a petroleiro no Estreito de Ormuz alimenta tensões

Um petroleiro é atingido por um projétil ao largo de Omã. As tensões crescem com o Irão.

Um petroleiro que navegava ao largo da costa de Omã, no Estreito de Ormuz, pegou fogo na manhã de terça-feira após ser atingido por um projétil, informou o Exército Britânico.

É o ataque mais recente contra um navio naquela rota estratégica, por onde transitou em tempos de paz um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. As suspeitas apontam para o Irão, que já foi acusado de ataques anteriores em águas próximas da costa de Omã.

Negociações sobre pausa e funeral em massa

Os Estados Unidos procuram retomar as negociações com o Irão para reabrir totalmente o estreito, reduzir o programa nuclear de Teerão e pôr fim definitivamente à guerra que começou em 28 de Fevereiro. No entanto, os ataques a navios provocaram respostas militares de Washington, seguidas de respostas iranianas contra os Estados árabes do Golfo, aumentando o risco de escalada.

As negociações parecem suspensas até que seja concluído o funeral do líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, falecido nas primeiras horas do conflito. Seu corpo foi transportado de avião para a cidade de Qom, onde uma multidão o homenageou na terça-feira.

Detalhes do ataque

A agência de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido disse que o navio foi atacado perto de Limah, Omã. O projétil atingiu bombordo ao tentar sair do estreito curso em direção ao Golfo de Omã. Nenhum impacto ambiental foi relatado e as autoridades estão investigando.

Anteriormente, o comando militar conjunto do Irão alertou que todos os petroleiros devem utilizar rotas aprovadas. “Qualquer incumprimento terá uma resposta imediata”, afirmou um comunicado iraniano, que também ameaçou reagir à interferência dos EUA.

Como parte de um pacto provisório, ambos os países concordaram em libertar a navegação durante 60 dias, mas Teerão insiste em controlar as rotas e cobrar pela passagem, o que Washington e vários países árabes rejeitam. Tentativas anteriores de Omã e da ONU para estabelecer uma rota alternativa provocaram ataques no Médio Oriente.

A empresa Kpler informou que pelo menos 108 navios cruzaram o estreito no fim de semana utilizando diversas rotas.

Funeral de Khamenei

A televisão estatal iraniana mostrou ao vivo centenas de milhares de pessoas caminhando em direção à mesquita Jamkaran para um funeral. Os banners apresentavam imagens de Khamenei e do seu filho, Moytabá Khamenei, nomeado o novo líder supremo, embora ele ainda não tenha aparecido nas cerimónias. Acredita-se que ele esteja sob custódia após ser ferido no ataque que causou a morte de seu pai.

As autoridades fecharam ruas e espaço aéreo para o luto, que termina quinta-feira, quando Khamenei será enterrado em Mashhad. Ele tinha 86 anos.

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Canadá escolhe a Alemanha para sua maior compra militar: 12 submarinos

Canadá nomeia empresa alemã para construir até 12 submarinos, a maior aquisição militar de sua história.

Canadá escolhe ThyssenKrupp para sua maior aquisição militar

O Canadá selecionou a empresa alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) como fornecedor preferencial para a construção de até 12 submarinos. O primeiro-ministro Mark Carney classificou a operação como a maior aquisição militar da história do país.

O anúncio surge dias antes de Carney participar numa cimeira da NATO, onde os aliados enfrentam pressão para aumentar os seus gastos com defesa. O presidente afirmou que a plataforma TKMS é ideal para as águas do Ártico e para a aliança.

“O submarino é comprovado e capaz”, declarou Carney.

A TKMS fornece submarinos a mais de um terço dos membros da OTAN. Carney não quis revelar o preço exato, mas disse que envolverá um investimento de “dezenas de bilhões de dólares”.

O chanceler alemão Friedrich Merz agradeceu a Carney e enfatizou:

“Este é um sinal forte para a nossa aliança transatlântica e europeia.”

A empresa alemã venceu o sul-coreano Hanwha Ocean. A ThyssenKrupp disse que os seus submarinos reforçarão a interoperabilidade, uma vez que muitos aliados da NATO já operam embarcações com propulsão convencional.

O Canadá comprometeu-se a aumentar as suas despesas militares depois de anos de atraso em relação aos objectivos da OTAN. Carney prometeu aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035, depois de atingir 2% do PIB este ano, a meta anterior da aliança. O plano fiscal canadiano prevê gastos que atinjam 4% do PIB até 2030.

Alemanha e Noruega, países que projetam juntos os submarinos, abrirão espaços de produção para agilizar as entregas. O Canadá receberia quatro submarinos até 2034, dois anos antes do projetado. A nova frota substituirá os quatro submarinos da classe Victoria, adquiridos em segunda mão no Reino Unido no final da década de 1990.

Nenhuma empresa americana apresentou proposta, pois os Estados Unidos apenas constroem submarinos com propulsão nuclear, enquanto o Canadá procurava navios convencionais.

“A soberania do nosso país, delimitado por três oceanos e pela maior linha costeira do mundo, depende das nossas capacidades marítimas”, concluiu Carney.

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China lança míssil balístico de submarino nuclear no Pacífico

Teste com ogiva falsa atrai críticas da Austrália, Japão e Nova Zelândia.

Teste de míssil balístico de submarino nuclear

Os militares da China testaram na segunda-feira um míssil balístico de longo alcance de um submarino com propulsão nuclear no sul do Oceano Pacífico. A ogiva era fictícia, segundo a agência oficial Xinhua. O lançamento, às 12h01, horário local, fez parte do treinamento anual de rotina e não foi dirigido contra nenhum país, disse um breve comunicado da Xinhua republicado pelo Ministério da Defesa.

Austrália, Japão e Nova Zelândia protestaram. O Ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, declarou:

“Parece que, apesar das nossas preocupações de longa data sobre este tipo de atividade, a China realizou o teste poucas horas depois de nos informar.”

O teste ocorreu no mesmo dia em que a Austrália e as Fiji assinaram um tratado de defesa mútua, num gesto para contrariar a influência chinesa. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse:

“A Austrália deixou claro com a China que consideramos que isso é desestabilizador para a região.”

O Japão expressou preocupação. O secretário-chefe de gabinete, Minoru Kihara, disse:

“As atividades militares da China, combinadas com a sua falta de transparência, tornaram-se uma séria preocupação para o Japão e a sociedade internacional.”

Pequim rejeitou as críticas. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores declarou: “Esperamos que os países relevantes evitem interpretações exageradas”.

Os Estados Unidos também reagiram. O porta-voz do Departamento de Estado, Thomas Pigott, disse:

“O rápido e opaco acúmulo de armas nucleares em Pequim é uma grande preocupação para a região e para o mundo.”

Especialistas apontaram a falta de transparência. Drew Thompson, pesquisador da Universidade Tecnológica de Nanyang, comentou: “A modernização e o desenvolvimento militar da China ocorreram sem aumentos paralelos na abertura e na transparência”.

Lyle Morris, do Asia Society Policy Institute, observou que este é o primeiro teste publicamente reconhecido de uma ogiva simulada de um submarino nuclear viajando tão longe no Pacífico. Morris enfatizou que o Japão, a Nova Zelândia e a Austrália receberam notificações, mas não os Estados Unidos.

A China mantém uma política de “não primeiro uso” de armas nucleares, mas moderniza o seu arsenal. Segundo o Pentágono, a China tinha cerca de 600 ogivas em 2024 e projeta mais de 1.000 até 2030.

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