O drama de Chilapa: quando a violência obriga a escolher entre balas e palavras
Imaginem isto: 96 pessoas tiveram que abandonar as suas casas, mais três ficaram feridas num hospital em Chilpancingo. Não é um filme, é Chilapa, Guerrero, ao vivo e direto. E o governo federal está numa encruzilhada que parece saída de um roteiro de suspense político.
Omar García Harfuch, o czar da segurança, lançou a bomba na manhã desta terça-feira. E não mediu palavras: a secretária do Interior, Rosa Icela Rodríguez, já está lá, presa no olho do furacão, tentando desbloquear uma situação que cheira a pólvora e desespero.
“Não, claro que não. Não há diálogo com eles, mas sim com a polícia comunitária, representantes, desculpe, das populações”
Foi o que Harfuch disse quando questionado se eles negociaram com bandidos. Os bandidos, aliás, têm nomes: “Los Ardillos” e “Los Tlacos”. Mas a aposta do governo não é enviar tanques, mas sim conversar. Parece ingênuo? Ouça atentamente a lógica do presidente.
Claudia Sheinbaum foi direta: sim, poderíamos mandar o Exército desarmar todo mundo, mas isso seria um massacre.
“Alguém poderia dizer ‘deixe o Exército chegar e desarmar as pessoas que estão lá’. Sim, nada mais do que isso representará um confronto onde pode haver civis mortos”
Aqui está o ponto crucial: 20 das 96 pessoas deslocadas ainda estão presas numa área onde Rosa Icela procura uma forma de as retirar. Sem balas, sem fogo cruzado. Prioridade: que os feridos saiam, que os bloqueios sejam levantados e depois as contas sejam acertadas com os grupos criminosos.
“Neste momento o mais importante é que os feridos saiam, que a população deslocada seja atendida e depois os crimes continuem a ser atendidos. É uma visão diferente”
É uma estratégia de contenção ou um sinal de fraqueza? A resposta, como sempre na política, depende de quem ganha em cada jogada. Por enquanto, o governo aposta que o diálogo salva vidas. Mas em Guerrero, onde a violência é crónica, o tempo está a contar e a paciência está a esgotar-se.




