Uma história de piscinas, amigos e um silêncio que quebra tudo
Rocío Guzmán, 22 anos, ainda não acredita. Seu primeiro papel principal no cinema, Sad Girls, acaba de ser selecionado para a seção Geração do Festival Internacional de Cinema de Berlim. O filme competirá com outros oito filmes internacionais.
“Parece irreal, ainda não consigo acreditar, acho que até chegar lá vou perceber tudo isso”, diz a atriz.
O filme é o longa de estreia de Fernanda Tovar e acompanha dois adolescentes nadadores competitivos. Sua vida vira de cabeça para baixo após um ato de violência sexual em uma festa. A história explora como eles tentam concordar em agir após o trauma.
Um visual construído com cuidado
O que há de mais valioso aqui, segundo Guzmán, é a perspectiva. “Minha personagem é quem acompanha a sobrevivente. É uma história contada a partir de uma perspectiva feminina, contada por mulheres… sendo um processo cuidadoso e com muita empatia com o sujeito”,explica.
As filmagens não foram fáceis. Rocío e sua co-estrela, Darana Alvarez, tiveram aulas de natação. Mas o verdadeiro trabalho foi emocional. A equipe perguntava constantemente como eles se sentiam em relação a cenas tão complexas.
“Eles nos perguntaram se estávamos de acordo sobre o que estava para acontecer com os personagens… O que fiz foi abordar isso com empatia, porque cada um tem uma reação diferente”, enfatiza Rocío.
Produzido com o apoio da Eficine, Sad Girls competirá em Berlim com filmes da Holanda, Suíça, Colômbia e Chile. Também fazem parte do elenco Mónica del Carmen e o músico Tomás García Agraz.
Para uma geração criada com hashtags e conversas urgentes, este filme chega na hora certa. Não é apenas uma estreia: é um depoimento delicadamente filmado.




