O CFE distribui conectividade, mas com letras pequenas
A Comissão Federal de Eletricidade (CFE) agora também quer ser seu provedor de internet. Sua nova missão: distribuir chips (cartões SIM) com navegação móvel gratuitamente. O objetivo declarado é reduzir a exclusão digital em setores vulneráveis.
Mas, como sempre, o diabo está nos detalhes. E nos requisitos.
De quem é a vez?
Não é para todos. O CFE concentra a entrega nos beneficiários dos programas sociais do atual governo. Pense nas Pensões para Idosos, nas Bolsas Benito Juárez ou nos Jovens Construindo o Futuro.
Também se aplica a estudantes de escolas públicas e pessoas em áreas rurais com pouca ou nenhuma ligação. A distribuição será por meio de ligações locais e módulos temporários, coordenados com as delegações da Assistência Social.
“Os estados… serão anunciados nas redes oficiais do CFE”, diz o comunicado.
Ou seja, você tem que ficar atento se eles passam pelo seu bairro.
A documentação necessária
Para reivindicar seu chip, você precisa ter paciência e documentos:
- Ser beneficiário de um programa social (o primeiro filtro).
- CURP e comprovante de endereço.
- Identificação oficial atual.
- Um celular desbloqueado.
Para menores, solicitam certidão de nascimento e CURP. E tenha cuidado: a documentação pode variar dependendo do estado ou do dia específico. Nada padronizado, como sempre.
E o que eles realmente oferecem a você?
O pacote “conectividade” inclui:
- 5 GB de navegação para redes sociais e informações.
- 1.500 minutos para chamadas para o México, os EUA e o Canadá.
- 500 mensagens de texto (SMS).
Parece bom no papel. É um apoio tangível para quem não tem nada. Mas não podemos deixar de nos perguntar: será este o papel de uma empresa estatal produtiva? É sustentável? Ou é mais um gesto clientelista disfarçado de política digital?
O CFE troca fusíveis por chips. O tempo dirá se essa conexão está estável ou se apaga como uma luz em um blecaute.




