Dos carnavais do norte ao palco: este é o Cazzu
O último vídeo de Cazzu não é apenas uma faixa nova. É uma viagem direta a Jujuy, sua terra. A estrela urbana se veste de demônio, uma homenagem aos carnavais do norte da Argentina onde, historicamente, esse papel era coisa de homem.
“Pareceu divertido usar demônios e se tornar o diabo”, observou ela.
Para ela, “Jujuy Estrellado” é a fusão perfeita. Seu som urbano atual se choca e abraça os ritmos das terras altas andinas. Uma região que parece mais irmã do Peru e da Bolívia do que de Buenos Aires.
O caderno ‘feio’ onde nascem suas ideias
Por trás dessa imagem poderosa existe um processo íntimo. E bastante particular. Cazzu escreve em um caderno que, ele admite abertamente, lhe parece horrível.
“Eu sempre nego o caderno”, disse ele. “Tem bordas fosforescentes que eu odeio.”
Mas esse objeto feio é o seu santuário criativo. Um espaço sem filtros onde você anota tudo o que lhe vem à cabeça, sem julgar. Ele o chama de caderno “sem preconceito”.
“É para mim, é realmente para mim, para minhas ideias”, disse ele. “Você pode dizer coisas em seu caderno que nem quer dizer para si mesmo.”
Ele o recomenda como um exercício catártico para qualquer pessoa, artista ou não. Uma maneira de desligar o telefone e se conectar consigo mesmo.
O grande salto: a primeira turnê pelos Estados Unidos
Enquanto suas ideias borbulham naquele caderno, sua carreira dá uma grande guinada. Em abril começa sua primeira turnê pelos Estados Unidos. Chicago, Las Vegas, Nova Iorque… a lista de cidades é longa.
“É uma realidade super difícil de processar, tendo vendido tantos ingressos”, confessou.
O passeio vem com toda uma experiência. Seu álbum “Latinaje” traz uma novela online com manuscritos e fotos que criam um universo misterioso em torno dos shows.
E esses programas prometem. Cazzu define o seu concerto como “imperfeito”, longe de formatos rígidos. Um espaço onde ela dá tudo e o público responde.
“Eu dou, as pessoas dão”, disse ele. “É como um enorme círculo de gratidão.”
Depois dos EUA, retornará ao México em maio e chegará a Madrid e Barcelona em novembro.
Entre palco e piruetas: a vida com Inti
Ao sair do palco e fechar o caderno fosforescente, seu mundo gira em torno de Inti, sua filha de 2 anos.
A garotinha já fala bastante, faz aulas de arte circense (adora piruetas) e tem uma imaginação transbordante.
“Ele tem muitos cachorros imaginários… Ele tem tigres, ele tem cachorros. Ele só tem dois gatinhos de verdade”, disse Cazzu, rindo.
Eles compartilham o amor pela Hello Kitty – a cantora tem uma tatuagem – e pelas princesas. Um universo colorido que completa o círculo perfeito para o artista.
Do diabo do vídeo à mãe que conhece todas as princesas. Este é o Cazzu: autêntico, poderoso e cheio de contrastes.




