De Jujuy para o mundo: a jornada de Cazzu
O último vídeo de Cazzu não é apenas uma faixa nova. É uma declaração de princípios. Uma viagem de ida e volta às suas raízes no norte da Argentina, longe do ritmo frenético de Buenos Aires.
“Sou de Jujuy, sou do norte do país”, diz a estrela em videochamada. “Eu me identifico 100% com a minha cultura, que é a cultura do norte.”
Em ‘Jujuy Estrellado’ as batidas urbanas se fundem com os sons das terras altas. Ela aparece vestida de demônio, uma referência irônica ao carnaval onde tradicionalmente esse papel era masculino.
“Achei divertido usar demônios e me tornar o diabo”, destaca ela com aquele sorriso travesso que a caracteriza.
O caderno feio que guarda tudo
Por trás da música está um objeto chave: seu caderno “sem preconceito”. Um artefato criativo que ele descreve com carinho… e bastante crítica estética.
“Eu sempre nego o caderno”, confessa. “Tem bordas fosforescentes que eu odeio.”
Mas aí está a magia. É um espaço sagrado onde se pode escrever o impensável, sem filtros ou autocensura. Um exercício que recomenda a todos, artistas ou não.
“Você pode dizer coisas em seu caderno que você nem quer dizer para si mesmo”, diz ele. “Sinto que é um exercício muito libertador, catártico e curativo.”
O passeio imperfeito (e perfeito)
Neste momento, Cazzu se prepara para sua primeira turnê pelos EUA. Chicago, Las Vegas, Nova York… nomes que ainda parecem filmes.
“É uma realidade super difícil de processar”, admite ele sobre a venda de ingressos no outro lado do continente.
O especial: cada show é acompanhado por uma novela online que cria um universo misterioso em torno do álbum ‘Latinaje’. Fotografias, recortes manuscritos… quase um arquivo policial musical.
Mas não espere polimento excessivo. Ela prefere autenticidade à perfeição técnica.
“É um show imperfeito”, ele define sem rodeios. Tem um “bom engenheiro de som e boas mulheres na equipe técnica […] mas é um espetáculo que não tem essa pretensão”.
A energia é recíproca. Aprendeu em ambientes como o Auditório Nacional do México, onde a ligação com o público é tangível.
“Eu dou, as pessoas dão”, resume ele. “É como um enorme círculo de gratidão.”
Depois dos Estados Unidos, retornará ao México em maio para o festival Tecate Emblema. E em novembro Madrid e Barcelona a aguardam. O demônio Jujeña continua conquistando etapas, sem nunca perder de vista aquelas raízes que agora brilham mais do que nunca.




