Quando a fé e a justiça apertam as mãos (e isso nos dá um pouco de frio)
Guadalajara, Jalisco – porque o que seriam as notícias controversas sem este estado? – acaba de estrelar um episódio digno de um drama da Netflix. Dois candidatos a juízes, ligados ao movimento religioso La Luz del Mundo, conseguiram ocupar cargos-chave durante as eleições judiciais. E sim, é exactamente o mesmo grupo cujo líder, Naasón Joaquín García, cumpre pena nos EUA por abuso sexual e pornografia infantil. Nada obscuro, certo?
A distribuição de cargos: quando o nepotismo usa toga
Em uma reviravolta que ninguém esperava (mentira, todos nós prevíamos), Eluzai Rafael Aguilar será o novo Juiz Criminal do Distrito Judicial 4 do Circuito 3. Seu currículo? Professor em escolas da Província de Hermosa, bairro quase feudal onde fica a sede de La Luz del Mundo. Como se não bastasse, o seu pai não é um paroquiano qualquer: é um líder religioso de alto escalão. Coincidência, é claro.
Mas a festa não termina aí. Madián Sinaí Menchaca Sierra, futuro Juiz do Distrito Administrativo, vem com uma árvore genealógica que faria chorar de emoção os roteiristas de House of Cards. Seu irmão é vereador em Tlajomulco (para Morena, porque a mistura de religião e política é sempre um coquetel explosivo) e seu pai, o bispo Nicolás Menchaca, era nada menos que o “defensor legal” de Naasón Joaquín García. Mundo pequeno, certo?
A lista desconfortável: quando os Defensorxs colocam o dedo nela
Em maio, a organização Defensorxs lançou uma bomba: uma lista de candidatos judiciais com ligações de alto risco ao La Luz del Mundo. Spoiler: nossos novos juízes estavam presentes. Mas ei, em um sistema onde a meritocracia se destaca pela sua ausência, quem precisa de transparência?
Enquanto isso, os cidadãos de Jalisco ficam com dúvidas existenciais: isso é justiça divina ou uma piada de mau gosto? Porque, sejamos sinceros, se fosse uma série já teríamos cancelado por falta de credibilidade.
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