Porque nada representa mais “eficiência governamental” do que distribuir ingressos para o Bad Bunny
Ah, o som doce da política misturada com reggaeton. O governo de Porto Rico, num ato de generosidade transbordante (ou talvez de marketing oportunista), decidiu distribuir ingressos para os 30 shows do Bad Bunny como se fossem doces em um desfile. O público sortudo? Funcionários públicos e estudantes com notas superiores ao ego do próprio artista. Porque, claro, que melhor maneira de celebrar a excelência académica do que com um concerto onde a letra mais profunda é “Diz-lhes que és meu, meu”?
A iniciativa que ninguém pediu mas que todos receberão
Verónica Ferraiuoli, coordenadora de “eficiência governamental” (sim, entre aspas, porque a distribuição de multas geralmente não está no manual de produtividade), anunciou com orgulho esta estratégia brilhante intitulada ‘Eu deveria ter feito mais treinamento’. Treinar para quê, você pergunta? Aprender a coreografar “Titi me pediu” ou explicar aos contribuintes por que seus impostos são gastos em festas particulares com o Coelho Mau?
Segundo La Fortaleza, este é um “reconhecimento do esforço”. Porque, obviamente, os funcionários que fazem o seu trabalho (algo que, em teoria, já são pagos para fazer) merecem uma recompensa. E os estudantes, bem, eles merecem… embora talvez preferissem uma bolsa de estudos em vez de um ingresso para ver Benito cantar sobre ex-namoradas e festas. Mas ei, quem precisa de educação financeira quando você pode ter uma memória viral?
A cereja do bolo: a turnê ‘Não quero sair daqui’ (irônica, considerando que Bad Bunny passa mais tempo em Miami do que na ilha) já esgotou seus 400 mil ingressos em tempo recorde. Assim, enquanto o resto do planeta se mata para comprar uma passagem, os escolhidos de Porto Rico só terão que… existir. Como é lindo o clientelismo, né?
“É um prazer proporcionar esta experiência única”, disse Ferraiuoli, esquecendo de mencionar se também darão protetores de ouvido aos pais desses alunos diligentes. Afinal, nem todo mundo está preparado para o decibel de um show de reggaeton.
A mensagem subliminar: promoção cultural ou lavagem de imagem?
Em meio a tanta fanfarra, alguém se pergunta: isso é realmente uma homenagem à cultura porto-riquenha ou uma manobra para fazer o governo parecer “legal” para os jovens? Bad Bunny, por sua vez, continua sendo o rei do marketing emocional: seu álbum ‘Debí Tirar Más Fotos’ (que, aliás, soa como o lamento de quem não usou o modo retrato no Instagram) já é um sucesso global. Claro que fundir plena e salsa com reggaeton é tão ousado quanto servir arroz e feijão em um prato de sushi. Mas ei, a arte não tem limites… nem explicações lógicas.
Enquanto isso, nas redes sociais, os porto-riquenhos se dividem entre quem celebra o gesto e quem pergunta: “E minha bolsa?”. Porque, no final das contas, um show é passageiro, mas a dívida estudantil é para sempre.
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