A irônica paz tarifária que desfrutamos… por enquanto
Em uma reviravolta que ninguém previu (ou talvez todos, porque é óbvio), a prestigiada agência de classificação Fitch Ratings iluminou nossas vidas com um número que encantará os amantes de dados: a tarifa efetiva que nosso “querido” vizinho do norte, os Estados Unidos, aplica ao México está localizada em um valor aparentemente razoável de 5,8%. Que alívio! Parece que o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) não serve apenas para encher as páginas dos jornais e dar trabalho aos burocratas. Porém, num final de filme de terror, a agência sussurra-nos aos ouvidos que esta situação idílica pode desaparecer como um sonho depois de uma sesta, graças à espada de Dâmocles dos novos impostos sobre os produtos farmacêuticos. Porque o que seria da economia global sem um pouco de drama desnecessário?
Mas não vamos ser dramáticos ainda. Acontece que, em Julho de 2025, uma quantidade surpreendente de 82% dos bens importados do nosso país atravessou a fronteira o mais rapidamente possível, livre de quaisquer impostos. É quase como se a negociação funcionasse melhor quando você não a atrapalha. Que conceito revolucionário! Os restantes 18%, claro, não tiveram a mesma sorte e enfrentam tarifas que podem subir até espectaculares 25% se decidirem não cumprir as famosas e sempre muito claras regras de origem do T-MEC. Para que depois digam que a burocracia não tem consequências. Enquanto isso, o Canadá, o irmão ordenado do trio, desfruta de uma porcentagem de isenção ainda maior, de 88%. Embora, numa reviravolta cómica, a sua tarifa efectiva média permaneça ligeiramente mais elevada, em 5,9%. Uma diferença tão mínima que apenas um contador ou uma alma altamente competitiva poderia ficar feliz ou chateada com isso.
A montanha-russa dos impostos de importação
E aqui está a verdadeira joia da coroa: a Taxa Tarifária Efetiva (TAEG) global dos Estados Unidos teve uma melhoria milagrosa, reduzindo para 13,6% dos 16% estimados em Agosto. A razão? Uma série de acordos comerciais com países como o Japão, a Malásia, a Tailândia e a Coreia do Sul. Basicamente, os EUA têm distribuído descontos como se fosse o bom fim da geopolítica. Soma-se a isso a grande ideia de reduzir as tarifas sobre os produtos chineses ligados ao fentanil, de 20% para 10%. Porque nada diz “estamos a abordar seriamente uma crise de saúde pública” como um modesto corte de 10% nos impostos pioneiros. Uma estratégia ousada, sem dúvida.
No entanto, num lembrete de que a alegria não pode durar para sempre, a Fitch avisa-nos, na sua melhor narração documental, que as tarifas farmacêuticas recentemente anunciadas, embora por enquanto no limbo do “adiamento indefinido”, poderão inverter esta encantadora tendência descendente. Imagine: justamente quando pensávamos que poderíamos ter comércio e medicamentos acessíveis ao mesmo tempo, surge a perspectiva de novos impostos para estragar a festa. É quase como se as decisões de política comercial fossem por vezes tomadas sem pensar nas consequências a longo prazo. Quem poderia imaginar?
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