Do rei do grupo à visão da coroa por baixo: a crônica de uma descida (não na categoria, no ego)
Imagine esta cena: estamos em 2010 e o Chivas del Guadalajara é o rei indiscutível da Liga MX. Eles têm mais estrelas do que torcedores no estádio em dia de clássico. Seu histórico é a inveja de todos. Avançando até hoje, as coisas parecem mais um drama da Netflix cancelado após uma temporada. Na era dos torneios curtos, o Rebanho Sagrado conquistou incríveis… dois títulos. Sim, você leu certo. Dois. Um em 2006 e outro em 2017, período que dá tempo para a pessoa terminar a graduação, conseguir um emprego e iniciar a terapia. Não é uma seca, é o deserto do Saara do futebol mexicano.
Aquele trono de que tanto se gabavam desapareceu em 2014. Quem é o responsável? Um cara durão com o apelido de “O Turco”. Antonio Mohamed, durante a sua passagem pelos Águilas del América, arrebatou-lhes o título de “clube mais vencedor” com a 12ª estrela dos azulcremas. Foi como chegar na sua própria festa e descobrir que outra pessoa comeu o bolo e levou o presente. Desde então, a crise do campeonato na seleção vermelha e branca não é um mito urbano, é a sua realidade diária.
A participação não solicitada: Mohamed retorna à briga (e Chivas sofre de déjà vu)
Mas caso eles pensassem que o pesadelo havia acabado, o destino (com um claro senso de humor cruel) decidiu dar uma sequência. Neste domingo, o Toluca, liderado (que surpresa) por Antonio Mohamed, sagrou-se campeão do Apertura 2025. Em um final mais dramático que a última temporada de sua série favorita, os Diablos Rojos derrotaram o Tigres nos pênaltis e levantaram sua décima segunda estrela. A consequência colateral não intencional para Guadalajara? Que os escarlates os alcançaram em segundo lugar na história do campeonato. De novo. Pelo trabalho e graça do mesmo treinador argentino.
Para Mohamed, este é seu quinto campeonato no México e seus primeiros dois campeonatos pessoais. Para Chivas, é como se o menino que lhe tirou o primeiro amor aparecesse anos depois para também assumir o emprego dos seus sonhos. As estatísticas doem: o consolo de ser o segundo mais bem-sucedido durou onze anos. Um reinado que terminou, ironicamente, pelo mesmo personagem que iniciou sua queda do primeiro lugar. O domínio histórico escapou-lhes dos dedos e agora eles observam de longe enquanto a América amplia a sua vantagem e outros estão logo atrás deles.
A mensagem é clara e tem um toque de humor ácido. Enquanto Guadalajara busca desesperadamente a fórmula para voltar ao topo, há uma figura que, do banco rival, se tornou o seu moderno calcanhar de Aquiles. Ele não é um vilão dos quadrinhos, mas seu efeito no disco de Chiva é igualmente devastador. A equipa que outrora construiu um império do futebol agora navega na incerteza, vendo o seu legado ser igualado por outros, sempre com um nome comum na equação: Mohamed. Um lembrete constante de que, no futebol, a glória do passado não paga as contas do presente.
Você acha que o Chivas conseguirá quebrar essa fase ruim e recuperar seu lugar? Compartilhe esta crônica do carma do futebol em suas redes e explore mais análises sobre os momentos que definem a história da Liga MX.




