Análise do déficit habitacional na Cidade do México
A Associação Mexicana de Profissionais do Mercado Imobiliário (AMPI) apresentou um diagnóstico detalhado da crise imobiliária na Cidade do México e sua área metropolitana. Segundo dados apresentados por Karim Oviedo, presidente nacional da organização, o défice acumulado ultrapassa os cinco milhões de unidades, um número que reflecte décadas de subinvestimento e políticas públicas insuficientes. Este panorama é agravado pela disparidade entre a procura anual – estimada em 350 mil habitações – e as licenças de construção autorizadas, que mal chegam a 10 mil por ano.
Propostas para mitigar a crise
AMPI propõe uma estratégia multifacetada que inclui:
- Bancos de terrenos subsidiados: Mecanismos para alocação de terrenos para projetos de habitação social, com agilização de procedimentos.
- Fideicomissos de garantia: Para proteger proprietários e inquilinos, garantindo o pagamento dos aluguéis e o cuidado dos imóveis.
- Imposto sobre residências ociosas: Incentivar a ocupação de unidades desabitadas e acabar com a especulação.
Oviedo alertou que iniciativas para controlar os preços dos aluguéis poderiam gerar efeitos opostos, como a redução de investimentos e o aumento de casas vazias, fenômeno documentado em cidades como Berlim e São Francisco.
Gentrificação e falta de planejamento urbano
O executivo da AMPI destacou que a gentrificação em colónias como Roma ou Condesa não se deve apenas à chegada de capital estrangeiro, mas também à ausência de políticas que incentivem a construção acessível. Áreas como Xochimilco e Azcapotzalco, com terrenos disponíveis, poderiam acolher projetos de interesse social, mas requerem incentivos fiscais e simplificação regulatória.
Conclusão: A solução requer coordenação entre os setores público e privado, priorizando a construção massiva e evitando medidas que desencorajem a oferta. Sem ações concretas, o aumento dos aluguéis continuará a afetar os habitantes da capital.
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