Um script que já conhecemos
O prefeito de Taxco, Guerrero, Juan Andrés Vega Carranza, está desaparecido. A versão oficial diz que ele foi negociar a libertação do próprio pai, que também havia sido privado de liberdade dias antes. O lugar? O bairro Casahuate, no meio da manhã. A data? Com os mesmos súditos que tiveram o pai.
Segundo relatos, o prefeito foi ao bairro Casahuate nas primeiras horas da manhã… após ser convocado para falar com pessoas ligadas ao sequestro de seu pai.
É o tipo de história que dói de ler. Um funcionário público, reduzido a seguir as regras do jogo mais sujo porque as instituições se distinguem pela sua ausência.
O teatro da operação
Agora eles implantam o circo. Quase 500 elementos, incluindo o Exército, a Guarda Nacional e a polícia estadual. Sobrevoos, patrulhas. A busca se estende a Guerrero, Morelos e ao Estado do México.
Mas a questão incômoda permanece: onde estavam todos esses recursos antes de um prefeito ter que arriscar uma negociação pessoal? A memória é curta, mas os padrões são longos. Isto não é novo.
Versões preliminares apontam para o óbvio: o prefeito teria sido contratado pelas mesmas pessoas com quem procurou fazer um acordo. Ou seja, ele caiu direto na armadilha. Ou foi trazido para ela.
Quando o Estado falha ao ponto de um presidente municipal ter de agir como um negociador privado, algo fica profundamente quebrado. E isso não é resolvido apenas com operações reativas quando já é tarde demais.




