A UNESCO inclui sítios arqueológicos na Cisjordânia e no Líbano, apesar das objeções israelenses
Um comité das Nações Unidas inscreveu um sítio arqueológico na Cisjordânia e um grupo de castelos no sul do Líbano na Lista do Património Mundial. A decisão foi tomada numa reunião da UNESCO na Coreia do Sul, dias depois de Israel ter apelado à rejeição das nomeações, chamando-as de uma tentativa de “instrumentalizar o património cultural”.
Sebastia, uma cidade montanhosa 10 km a noroeste de Nablus (Cisjordânia ocupada), é identificada como a antiga Samaria, capital do Reino bíblico de Israel. Seus vestígios vão desde a Idade do Ferro até o período islâmico. A candidatura palestiniana, apresentada em 2012, argumentava que o estatuto de Património Mundial ajudaria a preservar o local, que permanece subdesenvolvido sob controlo israelita.
Os cinco castelos do Monte Amel, também incluídos, combinam influências dos cruzados, aiúbidas e mamelucos. Entre eles está o Castelo de Beaufort (Al-Shaqif), tomado pelas forças israelitas em Maio, durante a sua incursão mais profunda no Líbano em mais de 25 anos.
Adel Naim Daoud Atieh, da delegação palestiniana, disse: “que protegeram este local extraordinário durante gerações, apesar da ocupação, restrições e repetidas tentativas de separá-lo do seu próprio património”. Um delegado israelense classificou a decisão como uma “vergonha” e acusou-a de politização. Israel retirou-se da UNESCO em 2019.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a delegação palestina de uma “campanha hostil e unilateral” e afirmou que o Hezbollah transformou o Castelo de Beaufort em um reduto militar. A UNESCO respondeu que todas as nomeações são avaliadas sob os mesmos critérios e que não se posiciona sobre disputas políticas. Um delegado libanês observou que os castelos têm sido usados “apenas para fins culturais e turísticos” desde a retirada israelita em 2000.
Além disso, o comité incluiu Tiro, uma antiga cidade fenícia no sul do Líbano, na Lista do Património Mundial em Perigo, na sequência dos intensos ataques aéreos israelitas durante a guerra contra o Hezbollah, antes do cessar-fogo de Junho.




