Trump avalia intervenção militar no conflito entre Israel e Irã

A possível escalada militar dos EUA no conflito entre Israel e o Irão reacende os debates sobre as intervenções estrangeiras e as suas consequências imprevisíveis.

O dilema estratégico dos EUA no conflito Israel-Irã

DUBAI, Emirados Árabes Unidos — Os recentes ataques israelenses a alvos estratégicos iranianos, incluindo instalações nucleares e figuras militares importantes, reacenderam o debate sobre o possível envolvimento direto dos Estados Unidos no conflito. O presidente Donald Trump, conhecido pela sua postura crítica em relação a intervenções militares prolongadas, enfrenta pressão para definir a sua estratégia face à crescente fragilidade do regime teocrático iraniano.

Lições históricas das intervenções no Médio Oriente

A história recente mostra que as intervenções militares ocidentais na região raramente alcançaram os seus objectivos a longo prazo. A invasão do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2003, inicialmente bem sucedida, levou a conflitos prolongados com elevados custos humanos e económicos. Em ambos os casos, a estabilidade política resultante durou pouco: os talibãs recuperaram o poder em Cabul, enquanto o Iraque mergulhou numa guerra sectária.

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Especialistas em segurança alertam que, mesmo que Israel consiga neutralizar as defesas aéreas e o programa nuclear do Irão, permanecerão desafios críticos. As forças iranianas, incluindo a poderosa Guarda Revolucionária e as milícias Basij, têm quase 800.000 soldados treinados para suprimir a dissidência interna, como demonstraram durante os protestos de 2022.

Obstáculos táticos e riscos geopolíticos

Uma intervenção direta enfrentaria barreiras logísticas sem precedentes. O Irão, com um território quatro vezes maior que o Iraque e 80 milhões de habitantes, apresenta um terreno montanhoso ideal para tácticas de guerrilha. Além disso, a ausência de grupos insurgentes organizados no país impediria qualquer tentativa de mudança de regime com apoio externo.

Casos como o da Líbia em 2011 ilustram os limites do poder aéreo: apesar de sete meses de bombardeamentos da NATO, a derrubada de Gaddafi exigiu uma acção terrestre por parte dos rebeldes locais. No Irão, onde não existe uma oposição armada coesa, o cenário mais provável seria uma guerra civil prolongada com implicações regionais.

“A população iraniana poderia unir-se contra um inimigo externo, como aconteceu durante a guerra com o Iraque na década de 1980”, afirma um analista do Centro de Estudos Estratégicos do Dubai. Dados recentes mostram que, apesar do descontentamento com o governo, apenas 23% dos iranianos apoiariam a intervenção estrangeira, de acordo com sondagens independentes.

Cenários possíveis e suas consequências

Uma análise de três cenários hipotéticos revela complexidades:

  • Intervenção limitada: Ataques cirúrgicos contra instalações nucleares poderiam atrasar o programa atômico do Irã, mas reforçariam a narrativa de vitimização do governo.
  • Mudança de regime: exigiria ocupação militar, com custos estimados em US$ 2 trilhões, segundo o Pentágono, e correria o risco de criar um vácuo de poder.
  • Pressão diplomática: As sanções combinadas com o apoio aos movimentos reformistas poderiam gerar mudanças graduais, embora com períodos mais longos.

O fator Reza Pahlavi, filho do último xá, acrescenta outra camada de complexidade. O seu eventual regresso com o apoio ocidental poderá ser contraproducente, dada a rejeição histórica da dinastia Pahlavi e dos seus laços com Israel.

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Terremotos na Venezuela: mais de 4.100 mortes

La Guaira concentrou a maioria das mortes nos terremotos de 24 de junho.

Pelo menos 4.118 pessoas perderam a vida após os dois poderosos terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho, informaram as autoridades locais na sexta-feira. A maioria das mortes ocorreu no estado costeiro de La Guaira, a área mais afetada, localizada a cerca de 20 quilómetros a norte de Caracas.

O número de feridos permanece há quatro dias em 16.740, segundo relatório divulgado pelo governo da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, em suas redes sociais.

Danos materiais e vítimas

O número de vítimas continua a aumentar à medida que os esforços de remoção de escombros continuam. Até agora, 856 edifícios foram danificados, dos quais 190 ruíram completamente. Mais de 1.600 outros tipos de estruturas – como pontes e estradas – apresentam diferentes níveis de danos.

O governo estimou que os terremotos deixaram cerca de 18 mil pessoas desabrigadas.

Contexto sísmico

Os terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com 39 segundos de intervalo ao longo da cordilheira costeira do norte da Venezuela, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Ambos os terremotos estão entre os mais fortes registrados no país sul-americano em mais de um século.

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Cuba enfrenta segundo apagão nacional em uma semana

Um novo corte massivo afeta a ilha em meio à crise energética e às restrições dos Estados Unidos.

Segundo apagão nacional em uma semana

Cuba viveu esta sexta-feira um novo apagão que afetou todo o país, o segundo em apenas uma semana. O Sindicato dos Eletricistas informou queda no Sistema Energético Nacional sem especificar a causa. Um corte semelhante já tinha sido registado na segunda-feira anterior, deixando quase 10 milhões de pessoas sem eletricidade.

Embora as autoridades tenham conseguido restabelecer parcialmente o serviço após o primeiro apagão, a produção de electricidade continua insuficiente. As termelétricas operam com 40% da demanda por falta de manutenção e escassez de combustível. A ilha produz apenas 40% do petróleo de que necessita.

Desde janeiro, o governo de Donald Trump impôs medidas restritivas que limitam a chegada de petróleo a Cuba. Nestes meses, apenas um navio russo atracou na ilha em março. Trump e o seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmam que procuram mudanças políticas e económicas no país.

A infra-estrutura eléctrica de Cuba sofreu anos de deterioração, o que agrava a crise energética no meio de sanções internacionais.

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Duas semanas depois dos terremotos na Venezuela, a situação de emergência piora

Milhares de venezuelanos procuram atendimento médico após terremotos que deixaram mais de 3.800 mortos.

A emergência sanitária piora

Duas semanas depois dos terramotos que abalaram o norte da Venezuela, a crise humanitária intensifica-se. Milhares de vítimas recorrem a clínicas móveis e cozinhas comunitárias em busca de cuidados médicos e alimentos. A ONU apelou para angariar 300 milhões de dólares e ajudar 1,3 milhões de pessoas.

O estado de La Guaira, o mais afetado, concentra os esforços de organizações não governamentais que agora operam livremente, em contraste com anos anteriores de restrições oficiais. O diretor de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, visitou a área e alertou para o aumento de doenças crónicas e agudas entre os sobreviventes.

“Eles não estão mais chegando com fraturas; eles estão chegando com outras necessidades de saúde de longo prazo”, disse Fletcher à Associated Press.

Médicos em Catia La Mar relatam um aumento de problemas de pele e doenças diarreicas. Também faltam medicamentos para diabetes e hipertensão. A superlotação e as más condições de água e saneamento agravam a situação.

Irma Echarri, 67 anos, foi a uma unidade móvel na esperança de reabastecer seus colírios e analgésicos. Ele também procurava alívio para uma dor no nariz que apareceu após os terremotos de 24 de junho.

“Dói bastante”, observou ele enquanto esperava sua vez.

Os terremotos deixaram 3.889 mortos, 190 edifícios desabaram e 856 estruturas foram danificadas, segundo as autoridades. Cerca de 18 mil pessoas perderam suas casas e vivem em escolas, calçadas e parques.

Zulbey Reyes, 41 anos, perdeu o emprego como babá e a casa. Ele foi a uma clínica administrada pela organização Paluz, em aliança com o Comitê Internacional de Resgate, para dores no peito. O diagnóstico revelou um nervo inflamado pelo grito do dia do terremoto.

A Organização Pan-Americana da Saúde informou que 50% dos profissionais de saúde de La Guaira foram diretamente afetados: alguns morreram, outros desapareceram ou sofreram crises familiares.

De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, os danos causados ​​a habitações e infra-estruturas ascendem a cerca de 37 mil milhões de dólares. Até agora, os Estados Unidos forneceram a maior parte da ajuda. A resposta contrasta com a anterior perseguição às ONG durante o governo de Nicolás Maduro.

Fletcher concluiu: “Quando há uma crise desta magnitude, as pessoas deixam a política de lado e podem concentrar-se em salvar o maior número de vidas possível”.

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