O discurso da ‘última chance’
Da Casa Branca, com aquele tom que já conhecemos, Donald Trump pintou um cenário apocalíptico. Segundo ele, o Irão estava prestes a ultrapassar uma linha vermelha que já não podíamos permitir.
“Esta foi a nossa última e melhor oportunidade para lançar o ataque que estamos realizando agora”, declarou o presidente, referindo-se à Operação Epic Fury.
O seu argumento é simples mas contundente: esperar mais teria sido um erro histórico. O programa de mísseis iraniano crescia “rápida e drasticamente”, tornando-se uma ameaça “clara e colossal”.
Um teatro de operações sem data final
O mais impressionante talvez tenha sido a duração. Quando lhe perguntaram quanto tempo duraria esta acção militar, a sua resposta foi tão vaga quanto preocupante.
“Qualquer que seja o tempo, está tudo bem, custe o que custar”, disse Trump. “Projetamos entre quatro e cinco semanas, mas temos capacidade para ir muito mais longe.”
Ou seja, estão se preparando para uma subida prolongada. Não há saída rápida à vista.
O objectivo declarado é ambicioso: garantir que o “promotor número um do terrorismo NUNCA possa obter uma arma nuclear”. Palavras fortes que procuram justificar ações ainda mais fortes.
Trump insistiu que Teerã já tinha mísseis capazes de atingir a Europa e as bases dos EUA. E o pior, segundo sua narrativa: “logo teria mísseis capazes de atingir nossos lindos Estados Unidos”.
Por trás da linguagem dramática existe uma estratégia clara. Usar o medo de um ataque iminente para validar uma ofensiva preventiva. A velha fórmula geopolítica, mas ao estilo Trump.
A questão que fica no ar é simples: será esta realmente a última opção? Ou como em qualquer bom drama político, há atos que ainda não vimos.




