A emboscada mais iluminada (ou não) da história
Ah, o Salão Oval. Aquele santuário dourado onde os presidentes americanos tomam decisões históricas… ou apresentam espetáculos dignos de um reality show. Desta vez, Donald Trump, o mestre das surpresas estranhas, decidiu que a melhor maneira de receber o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa seria com luzes, câmeras e… ação! Bem, mais como luzes apagadas e um documentário de terror. Porque que melhor maneira de discutir relações bilaterais do que acusar um país inteiro de genocídio branco sem provas? Trump clássico.
O show deve continuar (no escuro)
Imagine a cena: Ramaphosa, um político experiente de 72 anos, tentando manter a compostura enquanto Trump, com a elegância de uma criança que acaba de descobrir o interruptor de luz, ordena: “Apague as luzes!” Razão? Mostrar vídeos tão tendenciosos que até um algoritmo do YouTube teria corado. Entre o material “selecionado” estavam declarações de Julius Malema, um político sul-africano conhecido pela sua retórica inflamatória, e recortes de imprensa sobre agricultores brancos que foram forçados a abandonar as suas terras. Porque nada diz “diplomacia” como um PowerPoint improvisado no meio de uma reunião presidencial.
E se isso não bastasse, havia Elon Musk, o homem mais rico do mundo (e sul-africano de nascimento), assistindo ao circo na primeira fila. Eu estaria pensando em comprar o Twitter novamente para tweetar ao vivo o constrangimento? Quem sabe. A verdade é que Musk, agora um conselheiro próximo de Trump, parecia mais interessado no drama do que na economia do seu país natal.
Ramaphosa, com uma paciência que merece um Nobel, respondeu com dados: “A maioria das vítimas da violência na África do Sul são negras.” Mas, claro, isso não foi tão cinematográfico como a narrativa de Trump. O presidente sul-africano chegou a brincar: “Se houvesse um genocídio, os meus convidados não estariam aqui”, apontando para duas lendas do golfe sul-africanas que integravam a delegação. Porque, obviamente, se você vai negar uma acusação absurda, que melhor maneira de fazer isso do que com uma piscadela esportiva?
Relações internacionais: diplomacia ou teatro?
Esse encontro teve mais reviravoltas que uma novela venezuelana. Desde a tentativa de Ramaphosa de relançar as relações comerciais (a África do Sul é o principal parceiro dos EUA em África) até ao momento em que lembrou a Trump que não tinha um avião presidencial de luxo para lhe oferecer. Uma homenagem ao escândalo em que Trump aceitou um jato do Catar como se fosse um cupom de desconto. Prioridades? Os justos.
Entretanto, a Administração Trump continua empenhada em pintar a África do Sul como um cenário de perseguição racial, ignorando que o país tem problemas muito mais urgentes, como a desigualdade económica e a corrupção. Mas por que falar sobre isso quando você pode fazer um show com luzes estroboscópicas e acusações infundadas?
No final, Ramaphosa saiu de cabeça erguida, provando que às vezes a melhor resposta é não cair no jogo. Embora, honestamente, adoraríamos vê-lo apagar as luzes novamente e publicar um vídeo dos memes mais virais de Trump. Isso teria sido justiça poética.
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