Toluca persegue o sonho do tricampeonato em um Clausura atípico
O cenário está montado e os Red Devils têm uma missão clara: imitar o América como o único time a conquistar o tricampeonato em torneios curtos. O Clausura 2026 começa neste fim de semana em condições excepcionais, totalmente moldadas pela longa sombra da Copa do Mundo que começa em junho. A ilusão, como diz o seu treinador, é o motor.
O Toluca, comandado pelo argentino Antonio Mohamed, inicia neste sábado a defesa do título com uma visita complicada a Monterrey. Acaba de conquistar o bicampeonato após uma final dramática contra o Tigres em dezembro passado, e agora pretende fazer história. A confiança do treinador é palpável. Em suas próprias palavras:
“Temos toda a esperança, temos o sonho de conseguir (o tricampeonato) e vamos tentar com tudo o que temos. Veremos no final se nos basta, mas vamos tentar, vamos tentar.”
Um torneio encurtado e adaptado para a Copa do Mundo
A Federação Mexicana de Futebol teve que fazer malabarismos com o calendário. Para encurtar a duração do torneio antes da Copa do Mundo – que começa em 11 de junho no estádio Azteca – foram implementadas mudanças significativas. O mais notável é a eliminação do play-off ou ‘Play-In’, formato utilizado desde o Apertura 2023.
Mas o ajuste mais chocante para a fase final vem das seleções. Os clubes concordaram em dar liberação antecipada aos jogadores convocados pela seleção mexicana. Isto significa que os jogadores de futebol escolhidos pelo seleccionador nacional, Javier Aguirre, não poderão jogar no campeonato. Eles terão que deixar suas equipes na última semana de abril para tirar férias e se apresentar ao El Tri no dia 4 de maio.
Para compensar estas ausências potencialmente massivas, foi estabelecida uma regra extraordinária: no campeonato, as equipas poderão colocar em campo até nove jogadores estrangeiros, sendo apenas dois nacionais. Esta medida aplica-se igualmente a todos, independentemente de quantas equipas cada clube perde.
Além do drama esportivo, há um fator logístico. Chivas e Monterrey terão de ceder seus estádios à FIFA para a Copa do Mundo. Se se classificarem para a fase de grupos, serão forçados a disputar os jogos em casa em locais alternativos, perdendo uma vantagem crucial.
O impacto mais profundo será sentido pelo Chivas. Devido à sua tradição e estatuto de jogar exclusivamente com mexicanos, o Rebanho Sagrado não pode ser reforçado com estrangeiros como farão outras equipes. Se perderem figuras importantes como o goleiro Raúl Rangel, o meio-campista Luis Romo ou os atacantes Roberto Alvarado e Armando González (campeões goleadores do torneio anterior), a busca pelo primeiro título desde o Clausura 2017 será muito complicada.
Quem pode impedir Toluca?
A busca pelo tricampeonato não será um passeio no parque. A Cruz Azul surge como a ameaça mais grave. A Máquina Celeste caiu nas semifinais do último torneio e reforçou seu elenco com peças importantes: os sul-americanos Nicolás Palavecino e Miguel Borja, ambos ex-River Plate. Sob o comando de Nicolás Larcamón, busca o primeiro campeonato desde 2021.
O América, é claro, está de volta em busca de recuperar a derrota na final para o Toluca há alguns meses. Suas aspirações dependerão de várias de suas estrelas recuperarem seu melhor nível físico e emocional. E há também os sempre poderosos times de Monterrey: Monterrey e Tigres, com elencos carregados de talento suficiente para disputar qualquer título.O caminho está traçado. Um torneio mais curto, regras adaptadas para uma Copa do Mundo histórica e times dispostos a lutar. No meio de tudo isso, Toluca carrega um sonho e a pressão para fazer algo que só um gigante conseguiu antes. O Clausura 2026 promete ser uma montanha-russa desde o apito inicial.
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