Um drama com milhares de atos improvisados
A figura é um golpe baixo. De todas as pessoas dadas como desaparecidas desde 2006, apenas 3.869 têm uma pasta de investigação aberta. O resto, mais de quarenta mil almas, são registos administrativos flutuando no limbo. A presidente Claudia Sheinbaum disse isso claramente no Palácio Nacional: isso é resultado de falhas institucionais que duraram anos.
“Daqueles para os quais não temos registros completos ou qualquer prova subsequente, vivos ou não, há 43.128 de 2006 até o momento”, disse o presidente.
A nova regra: investigue ou enfrente as consequências
Aqui está a mudança de script. Anteriormente, registrar um desaparecimento não exigia a abertura de uma investigação formal. Foi um procedimento, apenas mais um pedaço de papel. Agora, com as reformas recentes, a omissão tem um preço.
Sheinbaum explicou que o artigo 74 da lei estabelece a responsabilidade administrativa. Isso pode resultar em repreensões, multas e até demissão do funcionário que descumprir.
“A omissão de um funcionário público também é classificada como criminosa; um processo pode ser aberto contra um funcionário que por omissão não abriu uma investigação”, afirmou enfaticamente.
A vítima ou sua família deverá denunciar para acionar o processo. Enquanto isso, o governo federal diz que está trabalhando com o Ministério Público estadual para que todo desaparecimento gere automaticamente essa pasta. Está passando do registro passivo à ação obrigatória.
A sombra do recrutamento e da perda de dados
Há uma peça-chave do quebra-cabeça que ainda não se encaixa: o recrutamento forçado. Sheinbaum reconheceu que é impossível saber quantos desaparecimentos estão ligados a este flagelo porque muitos ficheiros estão quase vazios.
“É preciso ir pasta por pasta para ver qual foi o contexto em que a pessoa desapareceu e saber se houve recrutamento”, explicou.
Muitos casos têm apenas um nome ou apelido. Informação mínima para uma tragédia máxima. Para combater este mecanismo de recrutamento, Marcela Figueroa, funcionária federal, informou sobre a coordenação com plataformas digitais.
O objetivo é tirar do ar páginas e contas utilizadas por grupos criminosos para atrair jovens. O Ministério da Segurança pede às empresas de tecnologia que baixem esses conteúdos assim que forem detectados.
Questionado sobre os números específicos do mandato de seis anos de Felipe Calderón, Sheinbaum optou pela cautela: “podemos dar os dados mais tarde”. Mas ele deixou uma declaração clara sobre a linha do tempo do drama:
“A verdade é que desde 2006 o fenómeno de desaparecimento de indivíduos aumenta exponencialmente.”
No cenário mais sombrio, quando um corpo não identificado for encontrado, promete-se que os dados forenses serão reforçados. A tarefa, dizem, é identificar cada um e cruzar esses dados com a lista interminável de pessoas desaparecidas. É tentar escrever um final para histórias que ocupam muitas páginas sem conclusão.




