Um momento que mudará a história
O ar em La Yesca, Nayarit vibrava com uma energia indescritível. Não foi um dia qualquer. Foi o dia em que, após séculos de desapropriação e dor, o destino do povo Wixárika daria uma guinada épica. A presidente Claudia Sheinbaum, com a solenidade de quem escreve uma página nos anais da justiça, assinou um decreto que devolveria 5.956 hectares de terras comunais aos seus legítimos proprietários: os guardiões ancestrais de San Sebastián Teponahuaxtlán e Tuxpan de Bolaños.
A batalha contra o esquecimento
As palavras de Sheinbaum ressoaram como um trovão na montanha: “Os governos neoliberais tiraram-lhes, nós devolvemos-lhes.” Cada sílaba foi um golpe contra a injustiça, um juramento de reparação. Não se tratava apenas de terra, mas de identidade, de espírito, da ligação sagrada entre um povo e o seu território. Uma dívida histórica, acumulada desde a colonização espanhola, começava a ser saldada.
Mas isso foi apenas o começo. O Plano de Justiça Wixárika prometia mais: escolas, centros de saúde, a recuperação de lugares sagrados em San Luis Potosí e um investimento de 4.998 milhões de pesos. A Secretária de Previdência, Ariadna Montiel, destacou que agora serão os municípios que decidirão como utilizar esses recursos. Foi, em essência, a restituição de sua voz.
O caminho para a redenção
A façanha não foi fácil. Edna Vega Rangel, secretária de Desenvolvimento Agrário, revelou que 22 propriedades foram recuperadas em anos anteriores e mais 20 em 2025, tudo em tempo recorde. Enquanto isso, Adelfo Regino, diretor do INPI, detalhou a proteção de locais sagrados como Wirikuta, aguardando resolução. Cada número, cada hectare, foi uma vitória contra o esquecimento.
Os líderes Wixárika, com lágrimas de dignidade, falaram. Carlos Hernández Valdez, governador tradicional, lembrou que “a vida material não tem sentido sem a vida espiritual”. Misael Cruz de Haro, presidente do Comissariado, confiou em Sheinbaum para continuar tecendo a justiça. E o governador de Nayarit, Miguel Ángel Navarro, destacou os 1.547 milhões de pesos investidos em estradas, habitação e saúde.
Um fim que é apenas o começo
O evento culminou com uma promessa: mais 10 mil hectares estão por vir. O Presidente jurou regressar e o povo Wixárika, pela primeira vez em gerações, foi capaz de acreditar num futuro onde a sua terra, a sua cultura e a sua voz não seriam tiradas. O sol se pôs em Nayarit, mas não como um adeus, mas como um presságio: o amanhecer de uma nova era.
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