México e EUA enfrentam um desafio de segurança partilhado
A presidente Claudia Sheinbaum levantou a voz nesta quinta-feira para exigir mais colaboração entre o México e os Estados Unidos no polêmico caso de Ovidio Guzmán López, filho do traficante de drogas Joaquín “El Chapo” Guzmán. Diante dos rumores de que o acusado negociaria um acordo judicial com os promotores dos EUA, o presidente destacou um detalhe doloroso: “Soldados mexicanos perderam a vida” durante sua captura em janeiro de 2023.
Uma operação com alto custo humano
A prisão de “El Ratón” em Culiacán deixou um resultado trágico: 10 soldados e 19 supostos membros do cartel morreram. Oito meses depois, o México extraditou Guzmán López, repetindo a história de seu pai, condenado à prisão perpétua em 2019. Mas Sheinbaum questionou a contradição dos EUA: “Eles não prometeram não negociar com organizações terroristas?” perguntou ironicamente, lembrando que Washington classificou o Cartel de Sinaloa como tal em fevereiro passado.
A tensão aumenta à medida que a violência abala Sinaloa. Só em Junho, 20 pessoas foram assassinadas num dia, apesar do destacamento militar. A disputa entre facções – os filhos de “El Chapo” contra os seguidores de Ismael “El Mayo” Zambada – intensificou-se após a misteriosa extradição de outro filho do capo, Joaquín Guzmán López, em julho de 2024. “Exigimos explicações que nunca vieram”, observou o presidente.
Coordenação versus decisões unilaterais
Sheinbaum defendeu a estratégia do seu governo: “Combater o crime organizado com ações claras”, mas insistiu que os EUA devem partilhar informações com o Ministério Público mexicano. Enquanto isso, em Chicago, Ovidio Guzmán López prepara uma reviravolta inesperada: depois de inicialmente se declarar inocente, mudaria seu depoimento em 9 de julho como parte de um acordo. Seu irmão e Zambada também enfrentam acusações de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, mantendo sua inocência.
Este caso não apenas expõe as fissuras na cooperação binacional, mas também levanta uma questão crucial: Pode a justiça americana resolver um problema que requer soluções conjuntas? O presidente mexicano é claro: sem transparência e trabalho em equipe, o progresso será limitado.
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